segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

VII Memorial Bobby Fischer - Faltam 11 dias!




Ainda sobre o Campeonato dos EUA (63/64), a partida de Byrne contra Fischer chegou na posição do diagrama mostrado nesta postagem. 


Após 15. Dc2, Fischer, de negras, jogou:

15. Cxf2! 16. Rxf2 Cg4+ 17. Rg1 Cxe3 18. Dd2 Cxg2!!

Kasparov: Um golpe brilhante. Byrne estava esperando por 18....Cxd1? 19. Txd1 com jogo indefinido.

19. Rxg2 d4! (fica claro que aqui não há defesa) 20. Cxd4 Bb7+ 21. Rf1 Dd7! 0-1

Em vista de 22.Cdb5 Dh3+ 23. Rg1 Bh6 ou 22. Df2 Dh3+ 23. Rg1 Te1+!! 24. Txe1 Bxd4.

Uma das  melhores partidas de Fischer, a qual foi corretamente incluída no livro The World’s Greatest Chess Games.

“Isso é mais bruxaria do que xadrez!” resumiu a revista sul-africana Chess Quartely. E isso foi o que o próprio Byrne escreveu: “A combinação de arremate foi de tal profundidade, que até no instante em que abandonei, ambos os Grandes Mestres que estavam comentando a partida para os espectadores em uma sala separada acreditavam que eu tinha posição ganhadora!”

Sobre o sucesso de Fischer nesse torneio americano, a obra aponta o seguinte comentário de Petrosian: “Sem medo de estar exagerando, estou preparado para comparar a quantidade de tempo gasto por ele no tabuleiro entre competições, com todas as horas dedicadas ao trabalho no xadrez dedicadas por todos os membros da equipe olímpica soviética juntos.”

Realça Kasparov: (...) em resposta a uma pergunta do Príncipe de Mônaco, sobre como ele aprendeu a jogar tão bem, Fischer respondeu: “Eu provavelmente li mil livros de xadrez e extraí o melhor deles.”

Eis a arma secreta do gênio norte-americano! Quem dos Grandes Mestres dos dias de hoje pode se gabar de interesse tão ávido pela herança das estrelas do passado? Não é por acaso que se diz que o novo é tão somente o velho que já havia sido esquecido. Só podemos especular quantas ideias originais de aberturas, quantos esquemas paradoxos e planos estratégicos interessantes Bobby retirou desses livros.


Na sequência, a obra relata, ao nosso ver, algo notável sobre Bobby Fischer, contradizendo até certo ponto a ideia de que ele, além de sua contribuição indireta para o engrandecimento do jogo, decorrente de seu próprio sucesso pessoal,  pouco teria feito pelo xadrez:

Mas Fischer não se dedicou somente ao seu auto-aperfeiçoamento. Por dois anos ele recusou convites para torneios internacionais, mas viajou muitas vezes por cidades norte-americanas, dando palestras e exibições simultâneas. E isso menos pela receita – conferências de xadrez e simultâneas não eram um negócio muito lucrativo naquela época. Bobby também não precisava se promover – como por dizer, seus espirros eram notícia. Eu acho que com sua “atividade missionária”, ele queria promover o desenvolvimento do xadrez no país. Assim ninguém mais poderia escrever, como fez a revista Time: “A popularidade desse antigo jogo nos EUA é comparável somente a um esporte como corrida de sacos.”

(Reedição da série de postagens 'Bobby Fischer: uma vida em 30 dias', publicada neste blog em 2015, com base em extratos do Vol. 4 do livro 'Meus Grandes Predecessores' de Garry Kasparov - Ed. Solis)

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Krikor é campeão em Poços de Caldas!

Krikor (de camiseta com as letras GAP) lidera o pódio
final do Aberto de Poços de Caldas (fonte: facebook de Krikor)

O atual campeão brasileiro, o GM Krikor Mekhitarian, foi o vencedor do Aberto do Brasil de Poços de Caldas, no Estado de Minas Gerais. Na última rodada, de um total de seis, ocorrida hoje, ele venceu o GM Felipe El Debs, que liderava isolado a competição até então. Com esse triunfo, Krikor somou 5,5 pontos, superando o vice-campeão, o MI Luís Paulo Supi, nos critérios de desempate. El Debs acabou em terceiro lugar, completando o pódio. O outro GM presente no evento, Everaldo Matsuura (que estará no nosso VII Memorial Bobby Fischer, em março) terminou na 5ª posição. No feminino, a também atual campeã brasileira, a WIM Juliana Terao, foi a melhor na sua categoria, terminando o Aberto em 6º lugar. A competição, contou com 99 participantes, distribuindo 5.000 reais em prêmios e 2 vagas para a Semifinal do Brasileiro. A classificação completa está no chess-results (link).

Luismar ganha torneio

O MF Luismar Brito, com 6,5 em 7 pontos possíveis, ganhou o Torneio Cidade das Acácias, realizado ontem, 27, no Clube de Xadrez Miramar, sob a direção de MF Francisco Cavalcanti e arbitragem de Cristiane Dutra. Em segundo lugar, com 6 pontos, o jovem Luiz Antonio Tomaz, ficando em terceiro lugar, Alberto Vieira, com 5 pontos. Os três ilustram a foto. Foram 21 jogadores, em 7 rodadas e com o tempo de 15 minutos nocaute. Os demais jogadores tiveram a seguinte classificação: 4º/6º Antonio Dutra, Petrov Baltar e Claudionor Henrique com 4,5 pontos. 7º/10º - Rafael Funchan, Luciano Galindo, Felipe Guedes e Antonio Carlos, com 4 pontos. 11º/12º - Francisco Erivanio e Valdemiza Gurgel, com 3,5 pontos; 13º/17º - Fernando Melo, Jarbas Paulino, Alexandre Cesar, Fabiano Costa e Ubirajara Barros, com 3 pontos; 18º/19 - Fabiano Araujo e Augusto Cavalcanti, com 2,5 pontos. 20º - Manasses Trajano, com 2 pontos e 21º - Gabriel Andrade com 1 ponto.  Durante o torneio, foi feito sorteio de um livro de xadrez, o qual foi entregue a Fabiano, conforme registra a foto. 

Herman e o mate no mito!

Hoje recebemos e-mail do MI Antonio Resende contando-nos que o MI Herman Claudius mostrou-lhe ontem a partida que o mesmo venceu contra o GM Henrique Mecking, o Mequinho, maior nome da história do xadrez brasileiro, ocorrida na recente Festa da Uva, em Caxias do Sul. A partida, segundo, Resende, foi muito bem conduzida por Herman, mas na posição do diagrama ele deixou passar uma bela combinação de mate em 3. O lance é Td8+!!, seguido de Cc6+ e Te7#. Tal sequência é denominada de mate dos árabes (situação de mate mais antiga do xadrez, realizada com torre e cavalo) que ocorre no meio do tabuleiro e não nas colunas de canto, conforme nos explicou Resende. Foi uma grande vitória de Herman. Só faltou o bonito mate no mito!

VII Memorial Bobby Fischer - Faltam 12 dias!

[MGP - V.4] Com a Olimpíada de Varna o primeiro estágio da carreira de Fischer chegou ao final. Ele parou de jogar em torneios internacionais e o seu crescimento foi interrompido artificialmente. Por muitos anos Bobby cozinhou-se em seu próprio caldo e jogou somente em Campeonatos dos EUA, em um dos quais (1963/1964) marcou 11 pontos em 11! (...)

Ao analisar a última partida de Fischer nesse torneio, contra Saidy, Kasparov declara: De acordo com testemunhas oculares, naquele dia umas mil pessoas se reuniram no Hotel Henry Hudson! Todos acompanhavam atentamente cada movimento da partida do líder em um enorme tabuleiro mural. Parecia improvável que Bobby pudesse vencer de novo, especialmente com as pretas, em um final simples e aparentemente quase igual de cavalo contra bispo.

Fischer venceu e Kasparov arrematou: Um outro exemplo da irresistível pressão de Fischer! E então, ocorreu o milagre: 1. Fischer11 pontos em 11 (!!) [grifo do RC]; 2. Evans – 7(1/2); 3. Benko – 7; 4-5. Reshevsky e Saidy  – 6(1/2) etc. 

“Lembro-me”, Bobby relatou com prazer, “que isso deu margem para o árbitro Hans Kmoch fazer uma brincadeira. Ele publicamente felicitou Evans (o segundo colocado) por ‘vencer’ o torneio... e a mim por ‘vencer a exibição’.”


Esse sucesso triunfal foi excepcionalmente importante para Fischer. Deu-lhe retaguarda para acreditar em si mesmo, em seu destino. Provavelmente foi somente aí que Fischer se recuperou completamente do choque psicológico que experimentara  em 1962 (afinal, em 1963 ele esperava se tornar Campeão Mundial!). 

Para superar sua depressão ele foi auxiliado pela... religião. Tendo perdido o chão sob seus pés após Curaçao e Varna, o jovem norte-americano procurou alguma outra distração, um novo apoio em sua vida. Já que ele não tinha nada além do xadrez, a religião veio preencher o vácuo. Se bem que aqui também Bobby seguiu “à sua própria maneira”, buscando refúgio não em uma das crenças tradicionais, mas na seita adventista “A Igreja Mundial de Deus”.

(Reedição da série de postagens 'Bobby Fischer: uma vida em 30 dias', publicada neste blog em 2015, com base em extratos do Vol. 4 do livro 'Meus Grandes Predecessores' de Garry Kasparov - Ed. Solis)

Tomaz vence torneio no IFPB

Na última sexta-feira, dia 26, aconteceu no IFPB de João Pessoa um evento de Xadrez na SECIF - Semana de Artes Cultura e Esportes.do IFPB. O torneio foi realizado em 5 rodadas pelo sistema suíço, com 30 minutos nocaute. O campeão foi a joia do xadrez paraibano, o nosso conhecido jovem Luiz Antônio da Silva Tomaz, representando o curso de Edificações (de camiseta amarela, na foto).



No feminino, a vencedora foi Juliana Paula Fernandes, representando o Curso de Eletrotécnica. A coordenação ficou a cargo de Abdallah Salomão Arcoverde, com arbitragem do AR Ivanilsom Pereira, que nos passou essas informações.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Aniversário de Ubirajara


O secretário-geral da Federação Paraibana de Xadrez, Ubirajara Barros (sentado, camisa manga comprida branca, entre Valdemiza Gurgel e Dr. Francisco Arivanio de Melo) é o aniversariante do dia. Na tarde de hoje (sábado 27), ele foi homenageado pelos colegas enxadristas durante o Torneio Cidade das Acácias, no Clube de Xadrez Miramar, com direito a Parabéns e corte de Bolo. Ubirajara é desses nomes imprescindíveis ao desenvolvimento do xadrez paraibano, pelo seu exemplar trabalho na Federação. Longa vida, Mestre Bira!

Uma bela e fácil composição!

O xadrez é mesmo surpreendente e fértil para manifestação artística! Veja a posição do diagrama... A solução é fácil e praticamente auto-reveladora. Quanto à beleza, aprecie você mesmo! Dê xeques sucessivos de damas (sem entregá-las) e não desista.. O mate vai chegar! 
P.S. Essa criação foi disponibilizada nas redes sociais e não detectamos a sua autoria.

VII Memorial Bobby Fischer - Faltam 13 dias!

No outono [1962], na Olimpíada de Varna, Fischer novamente estava fora de forma. Ao final ele marcou somente 50% dos pontos, perdendo para Ciocaltea, Donner e Gligoric. Adicionalmente fez dois empates rápidos, e em resposta a um comentário de um árbitro, de que não era permitido empatar antes do 30º lance, ele cunhou a sua famosa frase: "Eu sei melhor do que a FIDE o que é uma posição empatada e o que não é!" No final os norte-americanos até perderam a medalha de bronze e o próprio Bobby ficou somente em quinto lugar no primeiro tabuleiro.
...
O ponto alto da Olimpíada foi, sem dúvida, a partida Botvinnik-Fischer, que foi descrita em detalhes no volume 2, partida 77 [da mesma coleção de Kasparov, Meus Grandes Predecessores].

[Na sequência, a obra mostra um trecho de um escrito de Fischer:]  "(...) Eu podia ter castigado Botvinnik, mas caí na cilada mais primitiva. Por toda a partida ele ficou com aquele ar de morto. Ele suspirava, ficava vermelho, tossia, e parecia que logo-logo chamaria a maca. Mas foi só eu cair na sua armadilha e ele voltou a ser o mesmo Botvinnik de sempre. Ele estufou o peito, confiantemente se levantou da cadeira, como se fosse um gigante, etc.”


Kasparov: E dizem que Bobby não tinha senso de humor! Entretanto o próprio Bobby não estava sorrindo. A partida com Botvinnik acabou com todas as suas esperanças de se tornar um “Campeão Mundial sem coroa” e seriamente feriu seu orgulho. E nisso o bando de culpados novamente eram os Grandes Mestres soviéticos, que tinham analisado a posição adiada a noite toda com Botvinnik, e o ajudado a conseguir o empate: Geller, Keres, Tal, Spassky, Boleslavsky e Furman!

Foi provavelmente após essa partida que Fischer se convenceu firmemente de que os “russos” tinham decidido a qualquer preço não lhe permitir chegar a Campeão Mundial. Quando o conhecido jornalista norte-americano Eliot Hearst sugeriu que o fracasso em Curaçao tinha sido resultado não do “pacto”, mas de sua má forma, Bobby resmungou: “O quê? Você é um comunista?”

(Reedição da série de postagens 'Bobby Fischer: uma vida em 30 dias', publicada neste blog em 2015, com base em extratos do Vol. 4 do livro 'Meus Grandes Predecessores' de Garry Kasparov - Ed. Solis)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

MBF - 2ª fase de inscrições termina segunda!


De acordo com o Regulamento do Aberto do Brasil - VII Memorial Bobby Fischer, a 2ª fase das inscrições com tarifas ainda diferenciadas termina na próxima segunda-feira, dia 29/02, portanto daqui a 3 dias! Depois dessa data, as inscrições seguem até 09/03, com valores majorados. Há um limite de 150 participantes. A lista de inscritos atual encontra-se no chess-results (ver link no topo da coluna ao lado). Em respeito aos que fizeram suas inscrições nas fases anteriores, não poderemos acatar pedidos de inscrição com valores menores do que o previsto no Regulamento, em suas respectivas fases. Lembramos mais que a anuidade da CBX deve ser quitada, como condição indispensável para a participação do torneio. A data de quitação dessa anuidade deve ser rigorosamente observada pelo enxadrista, a fim de se evitar agendamento para além do dia 13/03, data do término do Memorial. Para mais detalhes, sugerimos a consulta ao Regulamento, cujo link encontra-se na coluna ao lado. Nas fotos que ilustram esta matéria, trazemos aos nossos leitores o Troféu Vereador Luís Paiva, as medalhas e as planilhas do evento. Tudo pronto para o Memorial! Está chegando a hora!





VII Memorial Bobby Fischer - Faltam 14 dias!

Após vencer o Interzonal de 1962, Fischer se empolga para o Torneio de Candidatos, em Curaçao, mas é contido pelo “pacto russo”! Kasparov comenta:

Para Bobby o futuro parecia extremamente colorido. Ele não tinha dúvidas nem de seu sucesso em Curaçao, nem de sua vitória sobre Botvinnik [campeão mundial de então].
...
Definitivamente, achando-se o “escolhido por Deus”, Fischer, a julgar pelos fatos, perdeu a habilidade de fazer uma avaliação crítica de si mesmo e de seu jogo. Mas como não perdê-la quando todos a seu redor – comentaristas, jornalistas e mesmo jogadores – tinham efusivamente criado um “culto” a Fischer.

“Infelizmente, entretanto, (escreve Edmar Mednis, que estudou suas partidas), Bobby levou a sério esse papo de culto e começou a acreditar nele. Seu pensamento pode ser exemplificado pelo tipo de declaração ‘Posso jogar qualquer coisa – eles sucumbem da mesma forma!’ As consequências disso foram desastrosas no Torneio de Candidatos de Curaçao, maio-junho de 1962 e quase trágicas para o seu futuro no xadrez.”
...
Assim foi a contagem final: 1. Petrosian – 17(1/2) pontos em 27; 2-3. Geller e Keres – 17; 4. Fischer – 14; 5. Kortchnoi – 13(1/2) etc. Quem poderia esperar isso após Estocolmo?

Esse fracasso teve um efeito enorme em Fischer. Evidentemente ele tinha que encontrar alguma explicação, alguma justificativa para o ocorrido... E novamente se manifestou um traço de seu caráter: ao invés de procurar as causas de seu fracasso em seu próprio jogo, Bobby procurou outros a quem culpar. E os encontrou!

Em um artigo com o título pitoresco “Os Russos Imobilizaram o Mundo do Xadrez”, publicado na revista Sports Illustrated, ele acusou diretamente Petrosian, Keres e Geller de fazerem um pacto. Eles teriam supostamente combinado de antemão em empatarem entre si, o que lhes daria um descanso, enquanto ele teve que jogar cada partida com intensidade plena. 

Realmente as suspeitas eram embasadas: todas as doze partidas entre o trio de líderes terminaram em empates insípidos. É claro que o lado soviético negou tudo, e mesmo no Ocidente nem todos compartilhavam do ponto de vista de Fischer.

Kasparov se posiciona: Eu não quero interpretar o papel do árbitro, especialmente porque após mais de quarenta anos muito foi discutido em torno do “pacto russo”. Eu acho que Fischer simplesmente não levou em conta o “espírito de equipe” dos jogadores soviéticos. Por que lutar, quando você pode fazer um acordo? (...) É duro condenar Petrosian, Geller e Keres por esses empates: era uma tradição soviética e, tendo em mente o calor tropical, era extremamente difícil finalizar a distância de 28 rodadas sem um descanso.
...
No final dos anos 1990 a versão de Fischer subitamente recebeu apoio de um lugar de onde Bobby jamais esperava – do antigo treinador de Petrosian. (...) [Declaração do GM Suetin:] “Antes do início do torneio o trio vitorioso concluiu um ‘pacto de não agressão’ um com os outros”.
...

Envergonhado com o final da batalha em Curaçao, Fischer sonoramente “bateu a porta”, anunciando que não mais tomaria parte em competições assim novamente. E o que aconteceu? A partir do próximo ciclo do Campeonato Mundial, o Torneio dos Candidatos foi substituído pelos Matches!

(Reedição da série de postagens 'Bobby Fischer: uma vida em 30 dias', publicada neste blog em 2015, com base em extratos do Vol. 4 do livro 'Meus Grandes Predecessores' de Garry Kasparov - Ed. Solis)

Horário do Acácias



O diretor do torneio ativo Cidade das Acacías, MF Francisco Cavalcanti, informa que o citado evento começa às 14 horas
deste sábado, 27. 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

IRT RPD Xadrez é 10 - REGULAMENTO


1) LOCAL, DATA E HORÁRIO

Local: Academia de Xadrez Caldas Vianna
Av. Umbuzeiro, 52, Manaíra, João Pessoa (PB)

Data: 02 de abril de 2016
Horário: A partir das 15 horas

2) ORGANIZAÇÃO, DIREÇÃO E ARBITRAGEM

Organização: Federação Paraibana de Xadrez (FPbX)
Direção e Arbitragem: Fernando Sá de Melo

3) OBJETIVOS

- Celebrar o aniversário de 10 anos da coluna de xadrez do Jornal Correio da Paraíba;
- Promover a formação e movimentação de ratings de xadrez rápido (CBX e FIDE).

4) SISTEMA, RITMO DE JOGO E EMPARCEIRAMENTO

Sistema: Suíço em 6 rodadas
Ritmo: 5 minutos + 10 segundos por lance
Programa de Emparceiramento: Swiss Manager

5) CRITÉRIOS DE DESEMPATE

1º - Confronto Direto (Código 11)
2º - Buchholz com corte do pior resultado (Código 37)
3º - Buchholz sem corte (Código 37)
4º - Sonneborn-Berger (Código 52)
5º - Maior número de vitórias (Código 12)

6) PROGRAMAÇÃO

15h00min - Congresso Técnico
15h15min - I Rodada
15h55min - II Rodada
16h35min - III Rodada
17h15min - IV Rodada
17h55min - V Rodada
18h35min - VI Rodada
Premiação e encerramento logo após o término da VI rodada

7) PREMIAÇÃO

Definida a partir da arrecadação com as inscrições. Extraídas as taxas de oficialização CBX/FIDE, serão destinados 90% para a premiação do IRT e 10% para a manutenção da AXCV.

Dos 90% destinados à premiação, 60% desse valor serão distribuídos para os 3 primeiros lugares gerais e 40% para os 3 primeiros lugares da faixa de jogadores até 1900 de rating. Nos dois casos, a distribuição entre os 3 primeiros lugares em cada caso será da seguinte forma:

1º lugar: 45%;
2º lugar: 30%;
3º lugar: 25%.

O campeão geral também receberá o Troféu Hamilton Nóbrega.

Observações:

a) Os valores decorrentes da divisão percentual acima serão arredondados para múltiplos de 5, para mais ou para menos, a critério da direção da prova, antes do início da primeira rodada;

b) Para fins de emparceiramento serão considerados os possuidores, nessa ordem, de ratings Elo FIDE RPD, Elo FIDE STD, Elo CBX RPD e Elo CBX STD, nessa ordem;

c) Concorrerá à segunda faixa de prêmio (U1900) os jogadores que tenham o rating  do emparceiramento inferior a 1900, inclusive aqueles sem nenhum rating.

8) VAGAS, INSCRIÇÃO E CADASTRO CBX

Número de Vagas: As vagas estão limitadas em 30 (trinta) participantes.
Inscrição: A inscrição terá valor único de R$ 40,00, cujo pagamento será no local do torneio, até 15 minutos antes do horário previsto para o Congresso Técnico.

Cadastro CBX: Todos os participantes deverão estar cadastrados na CBX, até o dia do torneio. O cadastro de enxadristas sem IDCBX deverá ser feito no site da CBX, http://www.cbx.org.br.

A AXCV disponibilizará acesso à internet para efetuação desse cadastro até meia hora antes (impreterivelmente), do Congresso Técnico. Após esse prazo, não será recepcionada inscrição de jogador não cadastrado na CBX.

A despeito dessa facilidade proporcionada pela AXCV, eventuais dificuldades de acesso à internet, ou ao site da CBX, que impeçam o cadastro do jogador, não são de responsabilidade da direção do torneio e impedem a inscrição do interessado no evento.

Para fins de participação neste torneio, o pagamento da anuidade da CBX é facultativo para o jogador que estiver cadastrado na CBX e ainda sem a quitação dessa taxa.

9) PEDIDOS DE BYE AUSENTE

Os pedidos de bye ausente, apenas para a primeira rodada, com 0,5 ponto, serão recebidos até às 14:30 horas do dia do evento se solicitado por meio do telefone de contato aqui divulgado.

10) MATERIAL DE JOGO

O jogador condutor das peças brancas deve apresentar o jogo de peças tamanho oficial, enquanto o condutor das peças negras deve apresentar o relógio em perfeito estado.

11) COMITÊ DE APELAÇÃO

Durante o Congresso Técnico será formado o Comitê de Apelação, a ser constituído por três membros, sendo um presidente e dois membros titulares, além de dois suplentes. Eventual recurso contra decisões da arbitragem deverá ser formulado, por escrito, ao Comitê de Apelação, no prazo máximo de 10 minutos contados do término da rodada que ensejou o episódio questionado, mediante caução de R$ 50,00 (cinquenta reais), cuja devolução ao recorrente dependerá do provimento do recurso, pelo Comitê.

12) CONSIDERAÇÕES ESPECIAIS

i. Durante a partida, é proibido ao jogador portar celular e/ou outro meio eletrônico de comunicação ou qualquer outro dispositivo capaz de sugerir-lhe lances na área de jogo. Se for evidente que o jogador trouxe tais equipamentos eletrônicos para o ambiente de jogo, deverá perder a partida. O oponente deverá vencer. Será permitido, entretanto, armazenar telefone celular em uma bolsa do jogador, desde que o dispositivo esteja completamente desligado. O jogador, contudo, está proibido de carregar a bolsa tendo consigo tal dispositivo, sem a permissão do árbitro.

ii. Durante a rodada será proibido ao jogador se ausentar do ambiente de jogo sem a autorização do árbitro;

iii. O 'ambiente de jogo’ é composto por todas as dependências internas da AXCV. A área de jogo' é o lugar onde as partidas da competição serão disputadas.

iv. No torneio não será aplicado o Apêndice G das Leis de Xadrez da FIDE, atualmente em vigor.

13) CONTATO

Fernando Sá de Melo
Fones: (83) 99712600 (TIM); (83) 32811919 (comercial) e (83) 32581346 (residencial)

14) DIVULGAÇÃO DO TORNEIO


15) DISPOSIÇÃO FINAL

A inscrição neste torneio implica plena aceitação deste regulamento.

João Pessoa (PB), 25 de fevereiro de 2016.
  
FERNANDO SÁ DE MELO
DIRETOR

Littoral Hotel - Não há mais vagas!

Recebemos hoje a comunicação do Littoral Hotel de que se esgotaram as vagas para hospedagem daqueles ainda interessados em participar do Aberto do Brasil - VII Memorial Bobby Fischer. Agradecemos a todos os enxadristas que conseguiram assegurar sua vaga no Littoral, garantindo, assim, a comodidade de se hospedarem no local do evento, bem como a participação no sorteio de prêmios previsto no Regulamento da competição.

Esperança - Joaquim recebe inscrições!

Quem quiser participar do tradicional Torneio de Xadrez de Esperança, que neste ano chega a sua 19ª edição, já pode fazer sua inscrição. O evento, na modalidade de xadrez rápido, é dirigido por Joaquim Virgolino e acontece nos próximos dias 30 de abril e 1º de maio. Há um limite de 80 vagas. Veja na imagem ao lado os valores e prazos para a inscrição. O pagamento deve ser feito através de depósito na seguinte conta:

Caixa ou Lotéricas
Conta Poupança
Agência 0737 - Op. 013 - Conta 22.482-0
Favorecido: Joaquim Virgolino da Silva Filho

Os interessados também podem procurar pessoalmente Joaquim, que estará no Littoral Hotel, em João Pessoa, durante o VII Memorial Bobby Fischer, entre os dias 11 e 13 de março, recebendo inscrições para o evento. Para ver o folder com os dados de contato de Joaquim e os valores da premiação (que totaliza 5.000 reais) clique aqui.

FCX - Bastidores da Partida do Século!

"Hans Kmoch, o árbitro, jogador forte e conhecido teórico internacionalmente, depois se reportou à importância da partida: 'Uma obra prima, fantástica combinação vinda de um garoto de treze anos contra um formidável oponente, indo para o recorde dos prodígios no xadrez. A perfomance de Bobby deu-se com estupenda originalidade.'”

O trecho acima compõe um artigo publicado ontem no site da Federação Cearense de Xadrez, assinado por Marcelo Cunha Guimarães, ex-campeão cearense, que, a partir do estudo de algumas obras sobre a vida de Bobby Fischer, mostra interessantes detalhes de bastidores daquela que foi considerada a Partida do Século, entre o MI Donald Byrne e Fischer, em 1956. Reforce-se: Fischer tinha apenas 13 anos de idade! Clique aqui para ler a matéria completa do autor cearense.

VII Memorial Bobby Fischer - Faltam 15 dias!

Fischer, 19 anos, vence Interzonal de Estocolmo (1962) e se classifica para o Torneio de Candidatos.

[MGP – V.4] - Um novo ciclo do Campeonato Mundial tinha começado, e no Torneio Interzonal de Estocolmo (janeiro-março 1962) Fischer demonstrou brilhantemente o muito que havia desenvolvido desde seu debút em Portoroz. Precisamente no dia de seu 19º aniversário Bobby se deu um presente maravilhoso: 1. Fischer – 17(1/2) pontos em 22; 2-3. Geller e Petrosian – 15; 4-5. Kortchnoi e Filip – 14; 6-8. Benko, Gligoric e Stein – 13(1/2) etc. Essa vitória provocou um verdadeiro furor no mundo. “Bobby Fischer”, publicou um dos jornais, “é o primeiro jogador a quebrar o círculo mágico dos Grandes Mestres russos ao vencer o maior torneio desde o final da Guerra.”

Para intensificar sua preparação para o torneio, pela primeira vez Bobby até mesmo desistiu de participar no Campeonato dos EUA. E os seus três meses de trabalho não foram em vão. “O próprio fato de que, pela primeira vez durante a realização dos Torneios Interzonal e de Candidatos, o primeiro lugar não tenha sido conquistado por um jogador soviético, diz muita coisa” [grifo do RC], escreveu o chefe da delegação soviética, Lev Abramov. “O sucesso de Fischer em Estocolmo causou uma grande impressão. Seja pela porcentagem de pontos marcados (80%), a liderança sobre os rivais mais próximos (2(1/2) pontos!), a ausência de derrotas e a facilidade invejável de seu jogo.”

Na 4ª rodada Fischer derrotou Portisch de forma lapidar, mostrando técnica invejável em um final de torres. Nas palavras de Kotov, ele surpreendeu até mesmo os experientes “lobos de torneios” com a sua maestria: “Quando um jogador jovem ataca bem, faz combinações – isso é compreensível, mas técnica impecável de final aos 19 anos – isso é um fenômeno raro (...).”


Prossegue Kasparov: Além disso, Bobby tinha uma tenacidade incomum, podia jogar por 50 lances, por 100 – quantos forem necessários para vencer (ele torturou o canadense Yanofsky por 112 lances). Nunca esmorecia – para ele literalmente toda partida era importante! Esse traço, que em 1962 parecia ser a maximização da juventude, se provou decisivo nos matches de 1971-1972.

(Reedição da série de postagens 'Bobby Fischer: uma vida em 30 dias', publicada neste blog em 2015, com base em extratos do Vol. 4 do livro 'Meus Grandes Predecessores' de Garry Kasparov - Ed. Solis)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

VII Memorial Bobby Fischer - Faltam 16 dias!

O forte torneio realizado em setembro [1961] em Bled [na antiga Iuguslávia] – na época foi até denominado o “torneio do século” – mostrou que, apesar das perdas moral e financeira do escândalo do match com Reshevsky, no aspecto técnico Fischer desenvolveu-se tremendamente e tornou-se mais calejado. A experiência de sua batalha com o veterano do mundo do xadrez [Reshevsky] não tinha preço, e isso foi sentido em Bled, e depois no torneio Interzonal em Estocolmo, pelos ilustres Grandes Mestres soviéticos.
...
No início do torneio de Bled, Fischer e Glicoric empataram, mas criaram uma verdadeira obra-prima. “ A harmonia de movimento nessa partida, onde cada lance lembra um pas de deux de um balé, a transforma em um espetáculo estético estupendo.” (Evans) [link para o Chessgames]
...
No dia seguinte o americano derrotou o jovem ex-Campeão Mundial [Tal]. Essa partida é unilateral, é claro, mas é significativa por ser a primeira vitória de Fischer sobre Mikhail Tal após marcar 0-4 nas partidas anteriores. (...) “Finalmente ele não me escapou”, exclamou o feliz Bobby após a partida.
...
Apesar do esplêndido jogo de Fischer, seu total de pontos foi mais modesto do que se poderia esperar. Ele foi o único jogador a não sofrer uma única derrota, mas o número de empates – onze! – provavelmente surpreendeu até a ele próprio: 1. Tal – 14(1/2) pontos em 19; 2. Fischer – 13(1/2); 3-5. Glicoric, Keres e Petrosian – 12 (1/2); 6-7. Geller e Trifunovic – 10(1/2) etc.

“Mas basta do enxadrista Fischer”, podemos dizer, seguindo Petrosian. “O jovem campeão norte-americano adquiriu uma nova paixão: cantar. Nas noites no cassino, acompanhado por uma banda de jazz, Fischer cantava algumas canções populares modernas. O Grande Mestre tinha um alto conceito de sua voz, com o qual, entretanto, poucos dos ouvintes concordavam. Ele realmente era muito melhor jogando xadrez...”

(Reedição da série de postagens 'Bobby Fischer: uma vida em 30 dias', publicada neste blog em 2015, com base em extratos do Vol. 4 do livro 'Meus Grandes Predecessores' de Garry Kasparov - Ed. Solis)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Sábado tem torneio


Sábado próximo, a partir das 15 horas, teremos mais um torneio no Clube de Xadrez Miramar sob a direção do MF Francisco Cavalcanti. Tarta-se do Torneio Ativo Cidade das Acácias, com 7 rodadas e tempo de 15 minutos nocaute. O evento contará com 23 participantes e está sendo cobrada inscrição para sócios e não sócios, havendo também premiação aos três primeiros colocados, além de sorteio de um livro de xadrez.  

VII Memorial Bobby Fischer - Faltam 17 dias!

A obra prossegue e relata a contagem empatada em 5(1/2) x 5(1/2), no match Fischer x Reshevsky, após a 11ª partida. Nesse ponto, Kasparov faz um longo relato dos problemas que surgiram no match, motivados pelo adiamento da 12ª partida para um domingo de manhã, por motivos religiosos de Reshevsky, judeu ortodoxo, e para acomodar um desejo pessoal da Sra. Piatigorsky. Por não concordar com isso, Fischer acabou não comparecendo para a partida e a Reshevsky foi dada a vitória, o que motivou o abandono do evento por Fischer.

Kasparov lembra que após o match houve muita agitação na imprensa americana e prossegue: Todos acusavam Fischer, os rádios e jornais não economizavam em suas manchetes, condenando o ‘moleque mimado’ que havia desgraçado o título de campeão dos EUA com o seu comportamento. A USCF [Federação Americana de Xadrez] também tomou o lado de Reshevsky. Não causa surpresa que Bobby tenha se sentido enganado, abandonado em um canto por todos...

Mas todos não levantaram os braços contra ele [Fischer] por nada, certamente teriam um motivo?! E Fischer o encontrou. Todos eram judeus: Rechevsky, os Piatigorsky, os líderes  da Federação, jornalistas, árbitros... E por isso se apoiavam uns aos outros!
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Para um jovem do Brooklin pouco estudado [18 anos], extremamente egocêntrico, era compreensível tal visão ‘simplificada’ do mundo. O Grande Mestre O’Kelly comentou com muita perspicácia: “O comportamento de Fischer lembra o de um selvagem: todas as coisas que acontecem ao seu redor são percebidas como uma ameaça”.

Segue Kasparov: Ao ficar mais velho, Bobby poderia ter se livrado de seus complexos, mas não teve sorte: além de todos seus desgostos na terra natal, o “rolo compressor” soviético também passou sobre ele, e isso, falando, genericamente, quebrou a identidade de Fischer. Ele cresceu como uma árvore anã, na atmosfera sufocante que enchia o mundo do xadrez desde que a União Soviética entrou na FIDE, com a dominação completa dos jogadores soviéticos e, daí em diante, da máquina política e esportiva soviética.
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E eu acho que a mania anti-semita de Fischer, a qual cresceu com os anos, está amplamente associada com a dominação dos jogadores “judeus-soviéticos”. Parecia-lhe que eles se uniam contra ele com o objetivo de evitar que ele se tornasse o Campeão Mundial. Eu lembro Reshevsky contando-me como, durante o Torneio Interzonal de Mallorca [1970], com olhos em chamas Fischer informou-o de que estava lendo um “livro muito interessante”. “Qual é?” perguntou Sammy [Rechevsky] inocentemente. “Mein Kampf!”  respondeu Bobby...

(Reedição da série de postagens 'Bobby Fischer: uma vida em 30 dias', publicada neste blog em 2015, com base em extratos do Vol. 4 do livro 'Meus Grandes Predecessores' de Garry Kasparov - Ed. Solis)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

VII Memorial Bobby Fischer - Faltam 18 dias!

Em outubro [1960], Bobby aos 17 anos chegou para a Olimpíada em Leipzig, liderando a equipe norte-americana pela primeira vez em sua vida. (...) Apesar da ausência de seu líder de longa data, Reshevsky (ele não queria jogar abaixo de Fischer), os americanos conquistaram a medalha de prata pela primeira vez no período pós-guerra! A contribuição do novo líder foi significativa: +10-2=6, e ainda por cima o melhor resultado no 1º tabuleiro na fase final.
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Em janeiro de 1961 Fischer como de costume venceu o campeonato dos EUA. O resultado também foi tradicional: 9 pontos em 11 (+7=4) – exatamente o mesmo do ano anterior. Mas, para a surpresa de muitos, o legendário Reshevsky terminou fora dos vencedores de prêmios pela primeira vez.

Atormentado por tal fiasco, Reshevsky decidiu mostrar ‘quem era o chefe’, e declarou publicamente “De todo jeito, Fischer não me mostrou nada. Em um match ele nunca me derrotará”. Fischer aceitou o desafio, e em junho a American Chess Federation anunciou o match vindouro. Seriam 16 partidas (...). O prêmio em dinheiro estava no nível dos matches pelo Campeonato Mundial na época: 6.000 dólares. Isso não foi surpreendente: a promotora e principal responsável pelo match, Jacqueline Piatigorsky vinha da família Rothschild!

No seu livro, Kasparov analisa com detalhes algumas partidas desse match, tendo uma delas recebida o seguinte destaque do russo: Provavelmente a partida mais fascinante e dramática do match foi a 5ª (...). Não foi por acaso que Fischer a incluiu no livro das suas partidas mais memoráveis e mesmo muitos anos depois ele despertou a atenção de renomados mestres de análises como Robert Hübner e Mark Dvoretsky.

Tal partida é ricamente comentada por Kasparov no seu livro. Pela internet, o leitor curioso pode reproduzir os lances desse encontro no site do Chessgames (link). Amanhã veremos o surpreendente desfecho desse match entre Fischer e Reshevsky.

(Reedição da série de postagens 'Bobby Fischer: uma vida em 30 dias', publicada neste blog em 2015, com base em extratos do Vol. 4 do livro 'Meus Grandes Predecessores' de Garry Kasparov - Ed. Solis)

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Melão Jr. publica artigo sobre Câmara!

Ilustração do artigo de Melão Jr. sobre
o MI Hélder Câmara, falecido ontem.
E na esteira de depoimentos sobre o falecimento de Hélder Câmara, quem também prestou suas homenagens foi o escritor, intelectual e enxadrista Hindemburg Melão Jr. (já conhecido dos leitores deste blog, autor do imortal Tributo à Deusa Caíssa) que publicou um artigo, intitulado "Xadrez obscurece com a perda de uma estrela", no qual ele relata fatos relevantes da biografia do ilustre Mestre cearense. Nesse trabalho, Melão Jr. revela sua aproximação com Câmara, de quem pôde herdar, além de alguns outros significativos presentes, o mais valioso deles, na sua avaliação: as muitas aulas gratuitas de xadrez, ministradas sempre com prazer pelo venerável professor. O autor também nos mostra as razões pelas quais o título de Mestre Internacional de Hélder Câmara pode ser tido como mais valioso até do que os títulos atuais de Grande Mestre! Vemos ainda algumas polêmicas envolvendo o recorde que teria sido atribuído a Câmara do maior ministrante de simultâneas às cegas no Brasil, contra 12 participantes, além de uma outra passagem marcante sobre relatos históricos da criação e utilização da Defesa Câmara, cuja denominação de Defesa Brasileira não era bem aceita pelo seu falecido autor. Por fim, Melão Jr. disponibiliza em seu artigo um link, no qual ele comenta uma partida de Câmara contra o GM Gilberto Milos. Para conhecer o artigo na íntegra, clique aqui.

Hélder Câmara - Um vídeo fascinante!

Estão sendo muitas as homenagens prestadas ao ex-campeão brasileiro MI Hélder Cãmara, falecido na manhã de  ontem, aos 79 anos de idade. Além da grande postagem de hoje de Fernando Melo aqui no blog, vimos nomes como o do MI Herman Claudius, do MN Gérson Peres e da WFM Suzana Chang declarando nas redes sociais seus pesares pelo triste acontecimento. E numa dessas homenagens nos deparamos com o vídeo abaixo, publicado ontem pelo site Revista Meio Jogo, que mostra Hélder Câmara em visita ao Clube de Xadrez de São Paulo, há pouco mais de 1 ano. Nele, vemos Câmara folheando seu livro 100 Crônicas de Xadrez (de co-autoria com seu irmão Ronald Câmara), para, simultaneamente, nos mostrar ao tabuleiro 3 composições belíssimas em sequência, cujas soluções ele nos traz com uma didática fascinante e um visível entusiasmo pela beleza que pode nos proporcionar a nobre Arte de Caíssa! Um vídeo para ver e rever muitas vezes! Imperdível! Confira!


VII Memorial Bobby Fischer - Faltam 19 dias!

[MGP - V4]: Fischer entrou no Ano Novo, 1960, já como tricampeão dos EUA. Na época esses eram os únicos torneios dos quais ele tomava parte com regularidade. O resultado, como anteriormente, foi excelente: 1. Fischer – 9 em 11 (+7=4); 2. R. Byrne – 8; 3. Reshevsky – 7(1/2); 4. Benko – 7; etc. Após seu aprendizado colossal no torneio de Candidatos, o jovem jogador amadureceu tremendamente. Ele também mudou sua aparência. No lugar do suéter e jeans, que Bobby exibiu na Iugoslávia, vieram os ternos feitos por alfaiates. Foi nesse Campeonato dos EUA que ele pela primeira vez apareceu em um terno, camisa branca e gravata, o que causou verdadeira sensação.

Naquela época teve início a segunda onda de Fischer, muito mais poderosa do que a primeira. Na realidade, ela pode até mesmo ser chamada sua primeira onda real, pois em 1959, é claro, ele ainda não estava pronto para se tornar o “Número 1”.

O Torneio de Mar del Plata (março-abril) foi memorável para Bobby, não somente pela sua primeira vitória em um torneio internacional, mas também pelo seu encontro com Boris Spassky. Após perder para ele na segunda rodada com as pretas em um Gambito do Rei, ele então empreendeu uma marcha furiosa – 12(1/2) pontos em 13! [grifo do RC] – e assim alcançou seu “torturador”: 1-2. Spassky e Fischer – 13(1/2) pontos em 15; 3. Bronstein – 11(1/2); 4. Olafsson – 10(1/2)  etc.

No grandioso torneio de verão de Buenos Aires, Bobby também chegou com a intenção de vencer. Taimanov: “Logo na primeira conferência de imprensa ele declarou, sem papas na língua: ‘Nesse torneio sou o mais jovem, mas também o mais forte! Eu quero conquistar o primeiro lugar’. Eu me lembro como Reshevsky, que tinha muito ciúme do sucesso de seu jovem compatriota, prontamente disse com malícia: ‘Ficarei feliz em terminar em décimo nono lugar se Fischer for o vigésimo!’”

Acredite ou não, mas o desejo de Reshevsky com relação a Fischer quase se tornou realidade: Fischer dividiu os 13º-16º lugares, marcando somente 8(1/2) pontos em 19 (+3-5=11)! Esse foi o maior fracasso em toda a carreira do décimo primeiro Campeão Mundial [grifo do RC]. (...) Enquanto isso, nesse torneio o veterano norte-americano conquistou um de seus maiores sucessos, dividindo o primeiro lugar com Kortchnoi e terminando 4(1/2) pontos à frente de Bobby! Na sequência, para explicar seus “lances suicidas”, Fischer reclamou da fraca iluminação do salão. É possível não estivesse sendo hipócrita, pois mais tarde suas reclamações sobre a iluminação se tornaram lendárias...

(Reedição da série de postagens 'Bobby Fischer: uma vida em 30 dias', publicada neste blog em 2015, com base em extratos do Vol. 4 do livro 'Meus Grandes Predecessores' de Garry Kasparov - Ed. Solis)


Nosso adeus a Hélder Câmara

Por Fernando Melo

Hélder e Pinto Paiva no Hotel Tambau,, em 1976
   Falar do MI cearense Hélder Câmara é falar de capítulo importante da história do xadrez brasileiro. A notícia de sua morte, ocorrida ontem (sábado) aos 79 anos de idade, nos chegou através de e-mail do MI Antonio Resende a Fernando Sá de Melo, que de imediato teve a feliz iniciativa de denominar Torneio de Blitz Hélder Câmara, a um evento que estava programado e que foi realizado com sucesso na tarde de ontem. O detalhe importante desta homenagem póstuma a Hélder, foi que na primeira rodada, num total de nove, em todas as  partidas foi jogada a Defesa Brasileira, criada exatamente por Hélder.
   Neste artigo que expressa a saudade, pois o conheci pessoalmente 40 anos atrás, quando aqui esteve no período de 4 a 16 de julho de 1976,  no 42º Campeonato Brasileiro, lembro o momento em que ele veio falar comigo, em minha residência, acompanhado do baiano Pinto Paiva, dois ex-campeões brasileiro e duas figuras que tinha a minha forte admiração. Veio a pedido do meu saudoso cunhado Abdias Sá, então presidente da Federação Paraibana de Xadrez e diretor geral deste importante evento, em que a Paraíba, pela primeira vez sediava, no Hotel Tambaú. Eu era o secretário geral e o peso da responsabilidade terminou causando ligeiro atrito com Abdias. Fiquei aborrecido e vim para casa dizendo que abandonava tudo no meio do campeonato. Abdias, que me conhecia e sabia que eu não ia voltar, tomou essa iniciativa que reputo sábia, pedindo a esses dois mitos do xadrez brasileiro que me convencessem a voltar. Deu certo, eu voltei!
     Quem pesquisar a vida do enxadrista Hélder Câmara, certamente vai se surpreender. Uma das coisas que me orgulhava era saber que ele jogou com Bobby Fischer, em 1970, nas Olimpíadas de Siegen. Poucos brasileiros tiveram essa oportunidade.de enfrentar Fischer. Mas a partida que Hélder tinha muito orgulho foi jogada em 1990, contra Vladimir Kramnik, em Sao Paulo (link).
        Hélder foi campeão brasileiro em 1963 (Recife) e em 1968 (São Bernardo do Campo) e várias vezes vice-campeão. Era um excelente jogador de blitz. Quando esteve aqui, vi dando 5 por 1 e ganhando todas! Homem culto, como o seu irmão Ronald Câmara, que também foi campeão brasileiro e dirigente da CBX. Os dois escreveram em jornais e importantes livros, que enriquecem a literatura enxadrística nacional. Em 1972, ao lado do irmão Ronald, Hélder recebeu das mãos do Governador de São Paulo, Laudo Natel, o diploma de Mestre Internacional da FIDE.
          Helder Câmara nasceu em Fortaleza no dia 7 de fevereiro de 1937, data em que o tio, Dom Hélder Câmara, comemorava 28 anos de idade. Da mesma forma que o irmão Ronald, ele recebeu a gênese enxadrística do pai Gilberto Câmara. No final da década de 50, Hélder se transferiu do Ceará para o Rio de Janeiro, a então Capital Federal. No Rio foi campeão carioca em 1958, 1960 e 1961 e escreveu coluna de xadrez no Jornal dos Sports. Em 1967 foi morar em São Paulo, onde passou a dirigir a tradicional seção de xadrez do jornal O Estado de São Paulo, em substituição a Ludwig Engels (1905-1967), mestre internacional alemão, radicado em São Paulo. 
              Tem uma passagem curiosa e com a qual vou encerrar esse artigo, que já se alonga. Quando Hélder conquistou o Brasileiro 1963, seus amigos colocaram faixas alusivas à conquista em postes em alguns pontos do centro do Rio de Janeiro. Segundo os jornais da época, por causa dessas faixas, o então bispo auxiliar do Rio de Janeiro. Dom Hélder Câmara, recebeu inúmeros cumprimentos antes de poder explicar que o campeão brasileiro não era ele, mas sim seu sobrinho. Nossa eterna saudade ao Mestre Hélder!