terça-feira, 27 de junho de 2017

Saudades de Fischer

Por FERNANDO MELO

(NOTA: Artigo escrito originalmente em junho de 1996, no jornal A União, época em que Bobby Fischer ainda era vivo.)

Certa vez o dr. Luiz Tavares, médico pernambucano já falecido e que amava verdadeiramente o xadrez me disse, com uma voz educada e serena, que Robert Fischer, a despeito de que muitos pensavam, não era um mercenário. Podia ser um perdulário.

Sempre considerei Fischer o melhor jogador do mundo, na minha geração. O que ele fez na década de 60 e começo da de 70 foi muito mais do que Kasparov fez na década de 80 e continua fazendo na atual década. Para mim, Fischer tem uma importância muito grande. Não posso esquecer os seus feitos, tanto dentro como fora do tabuleiro. Com certeza ele foi a pessoa que mais contribuiu para a popularidade do xadrez.

A sua conduta excêntrica e suas poucas ortodoxas ações, lhe deram fama de extravagante. Mas esse seu comportamento era em favor do xadrez.
"É difícil encontrar um homem que seja mais devoto no xadrez que Bobby. Quando lhe perguntei se tinha muitos amigos, Bobby invariavelmente respondia que todos aqueles que amam o xadrez...", diz  Eduard Gufeld, um grande mestre russo que conheceu Robert Fischer e que muito o respeitou e respeita.
Sobre a questão de Fischer não ser mercenário, como me disse dr. Luiz Tavares, vejamos o que afirma Gufeld.

"Recordo quando um jornalista estrangeiro perguntou a Bobby com falta de tato: ´Bobby o que é mais importante para ti, o xadrez ou o dinheiro?` Fischer me olhou e então deu as costas ao jornalista. As exigências financeiras de Fischer aos organizadores produziram a impressão de uma excessiva ganância de sua parte. Mas não era tão assim.Em minha opinião, o dinheiro para ele não tinha um papel primordial. Julgue o leitor por si mesmo. Antes de começar seu match com Spassky (pelo título mundial em 1972), Fischer já estava prevendo que os prêmios (120 mil dólares) subiriam ao dobro. Possivelmente seu pensamento era que dobrando os prêmios também se dobravam a importância do match (e talvez a importância do próprio xadrez). O dinheiro não era tão importante para ele evárias vezes depois do match, Fischer recusou um contrato de 10 milhões de dólares para emprestar seu nome a um anúncio prublicitário¨.

Fischer - continua Gufeld - estava obcecado com a ideia de aumentar o prestígio do xadrez e o dinheiro na América é a coisa mais importante, pelo que ele desejava obter melhores prêmios para os enxadristas jogarem em melhores condições.

Nas Olimpíadas de Lugano ele abandonou esta prova em nome dos seus princípios. "Este salão não é para o xadrez. Se não melhoram as condições, não jogarei aqui." E foi embora. Os eventos subsequentes provaram que ele tinha razão. Ao final da competição, muitos grandes mestres expressaram que as condições haviam sido insuportáveis. Naquele tempo, as competições enxadrísticas suportavam, entre outras coisas, barulho, multidão e cigarro. Atualmente, a atuação melhorou bastantes. Com certeza o crédito é para Robert Fischer.

É importante que a geração atual e as futuras gerações de enxadristas conheçam a verdade spbre o décimo primeiro campeão mundial de xadrez. Sua vida dignifica a arte de Caíssa. Fischer nunca pode ser esquecido pelo que ele fez em favor do xadrez. Nunca é demais repetir isso.

domingo, 25 de junho de 2017

Sabia que Kramnik ...?

Você sabia que Vladimir Kramnik, que hoje completa 42 anos, o homem que tomou o título mundial de Kasparov e de Topalov, foi campeão mundial Juvenil, no Brasil, em 1991? Isso mesmo.

sábado, 24 de junho de 2017

Os 70 anos de Asfora!

MF Marcos Asfora
Por FERNANDO MELO

O xadrez do Nordeste vive hoje um dos seus melhores dias ao comemorar os 70 anos do MF Marcos Asfora, decano do xadrez de Pernambuco e uma grande figura humana. Falar de Asfora é para mim motivo de satisfação, principalmente num dia como o de hoje. Vice-Presidente da Confederação Brasileira de Xadrez, um dos maiores jogadores do xadrez postal que o Brasil conheceu, já tendo sido campeão nacional. Detentor de maior numero de finais de Brasileiro e também autor da partida mais longa jogada no país, ao vivo.

Tudo isso ainda é pouco, se não falarmos do Asfora como ele realmente é. Me refiro ao seu espírito de defensor do desenvolvimento do xadrez em Pernambuco e no Nordeste, onde exerce conhecida liderança e carisma. Como falar do consagrado Torneio Nordestão sem lembrar Marcos Asfora?

Conheço Asfora desde 1976, já estive com ele várias vezes e sempre o encontrei a mesma pessoa. Torneio que Asfora participa tem um brilho especial, porque ele, apesar de não muito falante, cativa facilmente as pessoas, pelo simples fato de ser respeitado por todos por sua longa história de amor ao xadrez.

Como se não bastasse, Asfora tem agora a iniciativa feliz de homenagear os dois maiores nomes da história recente do Xadrez de Pernambuco: Dr. Luiz Tavares e Eduardo Asfora! O Torneio que começa no segundo fim de semana de julho próximo, vai certamente reunir um grande número de enxadristas da região. E desde já, registro, com satisfação, um fato que deve acontecer e que é raro: estarão presentes 4 diretores da Confederação Brasileira de Xadrez, o GM Darcy Lima (presidente) o AI Antonio Bento, e os MF Marco Asfora e Maximo Macedo (todos vice-presidentes).

Estaremos lá, com uma boa delegação de paraibanos. A convite de Asfora, farei a abertura com um breve discurso sobre os dois homenageados.

Estou feliz, ao poder parabenizar Asfora por tudo que ele tem feito pelo xadrez e hoje, especialmente, pelos seus bem vividos 70 anos!   

Frase do dia

É um erro profundo imaginar que a arte da combinação depende apenas do talento natural e que não pode ser aprendida.  RETI 
(Fonte Chessgame.com)

sexta-feira, 23 de junho de 2017

O herdeiro de Bobby Fischer!

Por FERNANDO MELO

GM Samuel Sevian (EUA, 16 anos.
Ontem cedo, por volta das 6 da manhã, conversei com Bobby a respeito do jovem Samuel Sevian. Ele me disse que estava sabendo, então falei que já o considerava seu herdeiro. Ele sorriu e disse: Por sua conta e risco. E logo desapareceu. Então vai assim mesmo. Já que Bobby não assumiu, eu assumo!

Afinal, quem é esse tal de Samuel Sevian?

Bem, ele acaba de vencer o Campeonato das Américas, o conhecido Continental, que foi realizado em Medellin, Colômbia, nos dias 9 a 16 do corrente mês, em 11 rodadas (ritmo de jogo: 90 minutos para os primeiros 40 lances, mas 30 minutos para terminar a partida, com 30 segundos de incremento por movimento). Foram jogadores de 19 países das três Américas ( Colombia 143, Venezuela 16, Brasil 14, Peru 13 e Costa Rica 12 representantes foram as maiores delegações), com 29 Grandes Mestres, sendo o maior ELO o de GM Eduardo Iturrizaga (Venezuela-2663) e o mais baixo, do GM Gildardo Garcia (Colômbia 2396), contando ainda com 1 WGM, 42 MIs, 9 WIMI, 43 MF, 11 WMF, 12 CM e 6 WCM. No total, tivemos 256 participantes.

Samuel Sevian, de origem arnênia, é o GM mais jovem da historia dos Estados Unidos, já que conquistou esse desejado título aos 13 anos de idade! Segundo Leontxo Garcia, ele é a maior promessa dos Estados Unidos na atualidade!

Para se ter uma ideia da força de Sevian, quando ele tinha 14 anos, jogou o Campeonato do seu pais, e terminou em 5º lugar entre 12 participantes. O detalhe importante é que ele empatou com o campeão e com o vice (Nakamura e Robson) e venceu o terceiro lugar (So W)!

Venho pesquisando mais sobre Sevian, pois estou acreditando muito no seu potencial e vou ficar de olho nele com mais frequência. Mas gostaria de encerrar este artigo com uma partida primorosa em que ele venceu para o temível Alexei Shirov, jogado na Suécia, ano passado. Os últimos lances me deixaram emocionado!
Sam aos 13 anos e já era Grande Mestre!

Sam aos 9 anos

"Há muitos jovens americanos muito promissores nos dias de hoje, mas um que continua surgindo no Jogo da Semana é San Sevian. Ele tem um estilo ousado e agressivo, que é provável que produza jogos emocionantes, e quando você o combina com Alexei "Fire on Board" é uma combinação combustível. No Hasselbacken Open em Estocolmo, Sevian estava pronto para a difícil abertura de Shirov, sacrificando um peão para uma boa compensação. Quando Shirov sacrificou o peão de volta - e depois uma torre para uma boa medida - as coisas ficaram realmente selvagens".

A. Shirov - S. Sevian

1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.d4 ed 4.Cd4 Cf6 5.Cc6 bc 6.De2 Bb4+ 7.c3 Be7 8.e5 Cd5 9.Dg4 Rf8 10.De4 d6 11.c4 Cb6 12.Dc6 Tb8 13.Cc3 Bb7 14.Db5 Cd7 15.ed Bd6 16.Dg5 f6 17.Dh5 De7 18.Be2 Bg2 19.Tg1 Be4 20.c5 Cc5 21.Tg7 Rg7 22.Bh6+ Rg8 23.0-0-0 Bg6 24.Bc4+ Ce6 25.Dh3 Rf7 26.Cb5 Tb2 27.Rb2 Tb8+ 28.Bb3 Be5+ 29.Cc3 c5 30.f4 c4 31.f3 cb 32.a4 Cc5 33.ef Dc7 34.Td4 Td8 35.Td8 Dd8 36.De3 Dd6 37.Cb5 Cd3+ 38.Rb1 Ce5 39.Rb2 Cd3+ 40.Rb1 Cf2+d. 41.Rc1 Dd1+ 42.Rb2 Cd3+ 43.Ra3 Da1+ 44.Rb3 Db2+ 45.Rc4 Db4+ 46.Rd5 Be4+ (0-1)   

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Frase do dia

Todo o segredo da arte da guerra reside na capacidade de se tornar mestre na arte da comunicação.  
Napoleão (Chessgame.com)

terça-feira, 20 de junho de 2017

Fier brilha no Continental!

Fier, em foto do seu Facebook, comemora sua
classificação para a Copa do Mundo!
O GM brasileiro Alexandr Fier conseguiu sua 5ª classificação seguida para a Copa do Mundo de Xadrez, que, este ano, vai acontecer em "sua casa", no mês de setembro, em Tbilisi, na Geórgia, local onde Fier mantém residência. Sua participação no Continental da Colômbia foi mesmo notável! Foram 11 rodadas, nas quais Fier obteve 4 vitórias iniciais, seguidas de 5 empates, após o que sobreveio 1 vitória e, na última rodada, 1 empate contra o GM Eduardo Iturrizaga (COL - 2663), o pré-ranqueado número 1 da prova e melhor Elo FIDE da América do Sul, na atualidade! Com essa campanha invicta, Fier terminou a prova na 9º colocação, com 8 pontos, e garantiu lugar, junto com mais 5 jogadores com igual pontuação, na disputa pela última vaga da Copa do Mundo, ainda em aberto, na ocasião. Todos partiram para o torneio de desempate, no ritmo de 15'+10''. Após as 4 rodadas iniciais, Fier somava 3 pontos (2v, 2e) e dividia a liderança contra ninguém menos do que Iturrizaga! E qual era o confronto da tabela na última rodada? Exatamente Fier x Iturrizaga! Uma legítima decisão pela última vaga da Copa do Mundo! Deu Fier! Assim, o brasileiro terminou invicto também no torneio de desempate, coroando de extremo êxito sua participação no Continental e garantindo vaga de mais um brasileiro no cobiçado evento internacional da Geórgia, que terá ainda o GM Felipe El Debs, classificado no Zonal 2.4, ocorrido em Florianópolis, no último mês de abril. Foi mesmo um torneio brilhante de Fier, que, certamente, guardará na memória esse seu grande feito em terras colombianas! Confira aqui a partida final de desempate entre Fier e Iturrizaga, obtida do site do GM Rafael Leitão. Parabéns a Alexandr Fier por essa brava conquista e muito boa sorte na Copa do Mundo!

Brasileiros no Continental

GM Samuel Sevian (centro) 16 anos,
vencedor do Continental 2017
Tivemos 12 participantes do Brasil na XII edição do Continental deste ano, na Colômbia e que contou com 256 jogadores. Na classificação geral, o vencedor foi o norte-americano GM Samuel Sevian (2601) que somou 8,5 pontos em 11 possíveis. 

Vejamos a relação dos brasileiros:


GM Alexandr Fier
09 - GM Alexandr Fier - 8,0
21 - GM Krikor Mekhitarian - 7,0
46 - MI Roberto Molina - 7,0
47 - MI Cesar Umetsubo - 7,0
73 - MF Alvaro Aranha - 6,5
80 - MI Renato Quintiliano - 6,5
104 - MF Luismar Brito - 6,0
126 - Milton Okamura - 5,5
133 - MF Martins Madeira - 5,5
149 - WMF Suszana Chang - 5,0
229 - Elias Moises - 3,5
232 - MF David Borensztain - 3,5


OBS: O paraibano MF Luismar Brito perdeu 23,6 pontos no seu ELO, e o carioca MF David Borensztain foi o que mais perdeu: 77,4 pontos. 

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Poema Xadrez

Por Selma Araújo

É um jogo antigo na história
Que nos faz parar, calcular e pensar
Muito bom para ativar a memória
Pra toda idade, para o cérebro ativar.

Minha gente experimente jogar xadrez
Você nunca mais vai querer parar
É um jogo que todo mundo tem vez
É bom para o raciocínio ...
Estimula o cérebro que ameaça parar.

domingo, 18 de junho de 2017

Citação do dia!

"A arma mais poderosa no Xadrez é ter o próximo movimento!" - David Bronstein 
(Fonte: Chessgames.com)

Perder para aprender!

Não é balela, é fato. Um dos jogadores mais respeitados da história do xadrez, chama-se José Raul Capablanca. Pois bem, vejamos o que ele disse:
"Nenhum livro ou professor pode, por si só, ensinar a jogar. O livro, como o mestre, só pode assinalar o caminho a seguir. O estudante, por sua parte, tem que concentrar todo o seu esforço e atenção possíveis. A prática e a experiência farão o mais. Os que desejam adiantar devem sempre estar dispostos a jogar e a perder. Em geral, aprende-se mais nos jogos que se perdem do que nos jogos que se ganham".

Livro, gênio e máquina!


II Ativo Junino 2017


Participantes, dirigentes e convidados do II Ativo Junino 2017 no Clube de Xadrez Miramar

Foi realizado na tarde de sábado passado. no Clube de Xadrez Miramar, o II Torneio Ativo Junino 2017, com a presença de 16 jogadores, no sistema suiço de 6 rodadas com 15 minutos nocaute. O torneio, que contou com a direção de Fernando Melo, arbitragem de Fabiano Andrade de Araujo e coordenação do MF Francisco Cavalcanti, teve como vencedor Jailson Maranhão, que somou 5,5 em 6 pontos possíveis. Completaram o pódium. Ednaldo Moreira com 4,5 e Genivaldo  Oliveira com 4 pontos. Todos receberam medalhas,
Os demais classificados foran:  4/5 - Luciano Galdino e José Mario Espínola, 4 pontos; 6/9 - Edson Loureiro, Claudionor Henriques, Genildo Gomes e Petrov Baltar, com 3,5 pontos; 10/11 - Alexandre Teixeira e Felipe Guedes, com 3 pontos; 12/13 - Waldemiza Gurgel e Mirra Mariana com 2 pontos/ 14/15 - Eny Nobrega e Severino Targino, com 1 pontos; 16 -Túlio Santos não pontuou.
O Clube de Xadrez de Miramar está de parabéns. Estivemos presente e sentimos a evolução de providências necessárias para o bem estar dos frequentadores, entre sócios e convidados. Parabéns à primeira dama do Clube, Lili Cavalcanti, pelo diversificado lanche que ofereceu aos participantes, como também parabéns pela excelente arbitragem de Fabiano Andrade. O dirigente MF Francisco Cavalcanti me confidenciou que está providenciando o banner do Clube.
Lembramos que no próximo fim de semana o Clube estará fechado por conta das Festas Juninas, voltando ao normal no próximo dia 30, sexta-feira.  (FM) 
MF Francisco Cavalcanti com o Pódium
Jailsosn Maranhão recebe a Medalaha de Ouro
Ednaldo Moreira a de Parata
Genivaldo Oliveira a de Bronze

sábado, 17 de junho de 2017

Aronian vence o Norway Chess!

Fonte: site oficial do evento


Terminou nesta sexta-feira o Altibox Norway Chess, na cidade de Stavanger, no norte da Noruega. Celebrado como um dos maiores torneios da história do xadrez, o evento contou com 10 dos 12 jogadores melhores ranqueados do mundo, chegando a ser planejado para receber os Top Ten da FIDE, mas as variações do Elo até o início do evento, fez com que 2 dos participantes não ocupassem a dezena dos primeiros lugares do xadrez internacional. Ainda assim, o Elo médio atingiu a incrível marca de 2797 (!), um número realmente magnífico, que impressiona a nós outros, meros mortais do reino de Caíssa. 

Foram distribuídos 249.000 euros, distribuídos entre todos os 10 participantes, cabendo 70.000 euros para o campeão, 40.000 euros para o vice-campeão e 25.000 euros para o terceiro lugar.

Como não podia deixar de ser, a competição foi equilibrada, com nada menos do que 76 empates, em 90 partidas jogadas! Contudo, não se pode dizer que não houve luta, pois, segundo o Regulamento do torneio, não era permitida a oferta de empates entre os contendores, o que levava as partidas para a definição do resultado no próprio tabuleiro.

O campeão foi o armênio Levon Aronian, que confirmou a boa fase, sagrando-se campeão invicto, com 3 vitórias e 6 empates, somando assim 6 pontos em 9 possíveis. Não custa lembrar que Aronian também vencera em abril último o também estelar evento Grenke Chess Classic, na Alemanha. 

O outro invicto da prova da Noruega foi Wesley So, que empatou nada menos do que todas as suas 9 partidas! Nakamura terminou em segundo lugar, com 5 pontos e Kramnik em terceiro também com 5 pontos.

O destaque negativo foi, sem dúvida, o anfitrião e atual campeão mundial, Magnus Carlsen! Principal estrela do evento - aparecendo inclusive em destaque no folder oficial do torneio, em meio aos outros ilustres participantes - o norueguês não atendeu as expectativas, mesmo depois de vencer de forma categórica o certame prévio de blitz, que serviu para definir as posições do torneio principal de clássico. Nesse evento inicial, Carlsen somou incríveis 7,5 pontos em 9, abrindo 2 pontos de vantagem para Nakamura e Aronian, segundo e terceiro, respectivamente. 

No evento principal, todavia, o campeão mundial, que recentemente vem usando um óculos nada discreto, amargou apenas a penúltima colocação, voltando a repetir o fiasco do Norway Chess de dois anos atrás. Ele perdeu 2 partidas, empatou 6 e venceu apenas uma, contra seu rival mais recente na luta pelo título mundial, o russo Karjakin. Não deixa de causar furor, o fato de que os atuais campeão e vice-campeão do mundo ocuparam as duas últimas posições do torneio! 

A propósito, afora Wesley So, que como vimos empatou todas, Karjakin foi o único que não conheceu o sabor da vitória nesse torneio de estrelas do xadrez mundial.

Sobre as partidas, vale destacar a vitória de Aronian sobre Carlsen, na quarta rodada, que vem sendo cotada para a melhor partida do ano! Com sacrifícios de material e lances precisos, o armênio superou o norueguês, cuja resistência rigorosa também contribuiu para valorizar ainda mais esta bela produção enxadrística. Confira aqui a partida, extraída do site do GM Rafael Leitão.

Em decorrência do resultado final do Altibox Norway Chess 2017, Carlsen perdeu pontos no Elo e, mesmo mantendo a liderança do ranking mundial, vê seus adversários aproximarem-se perigosamente dele. Se considerarmos apenas esse evento, temos Carlsen agora com 2822 pontos, seguido de perto por Kramnik (2811), Wesley So (2810), Aronian (2809) e Caruana (2806). 

A seguir, mostramos a classificação final do torneio.

Fonte: Site Chessbase

sexta-feira, 16 de junho de 2017

História dos Interzonais

Por FERNANDO MELO

Um dia, talvez em outra reencarnação, eu venha a escrever um livro que fale dos Torneios Interzonais, Seria prazeroso lembrar com detalhes o Interzonal de Palma de Mallorca (Espanha) 1970, o de Manila (Filipnas) 1976, para citar apenas dois de tantos outros.

GM Davod Bronstein ganhou Inerterzonal em 1948 e 1955
Tudo começou em 1948, com o Primeiro Interzonal - Salfsjobaden (Suécia), ganho por David Bronstein, com 13,5 pontos em 19 possíveis. 

O Segundo Interzonal foi realizado em Estocolmo (Suécia), em 1962, e o vencedor foi Alexander Kotov, com 16,5 pontos em 20 possíveis.

O Terceiro Interzonal teve a cidade de Gotemburgo  (Suécia) no ano de 1955; O russo David Bronstein somou 15 pontos em 20 possíveis e foi o vencedor.

O Quarto Interzonal foi no ano de 1958, em Portoroz (Eslovênia), com Miguel Tal saindo-se vencedor com 13,5 pontos em 20 possíveis.

O Quinto Interzonal realizou-se em Estocolmo (Suécia), ganho por Bobby Fischer no ano de 1962. e somou 17,5 pontos em 22 possíveis.

O Sexto Interzonal foi realizado em Amsterdam (Holanda) no ano de 1964, tendo Bent Larsen como vencedor, que somou 17 pontos em 23 possíveis.

O Sétimo Interzonal teve como sede a cidade de Sousse (Tunísia) em 1967, e mais uma vez Bent Larsen foi o vencedor, com 15,5 pontos em 21 possíveis.

  (CONTINUA)

quinta-feira, 15 de junho de 2017

O legado de Eduardo Asfora!

Por FERNANDO MELO

Os caissianos de Pernambuco certamente estão orgulhosos do legado deixado pelo saudoso Eduardo Asfora. Não tive a felicidade de conhecê-lo, mas me inspiro na personalidade do seu sobrinho MF Marco Asfora, para sentir o quanto aquele deixou para este a herança de um xadrez competitivo, responsável e produtivo. O sobrinho seguiu os passos do tio com honra e dignidade.

E aqui lembro, com sinceridade, o trabalho de Fernando Sá, na Paraíba, e de Igor Macedo, no Rio Grande do Norte, que da mesma forma honram e dignificam a herança dos seus pais, já que os "velhos" estão mais para jogar do que mesmo dirigir, transferindo esta missão para os mais "novos".

Eduardo Asfora era odontólogo e nasceu na cidade do Recife no dia 5 de agosto de 1924, vindo a falecer aos 65 anos, no dia 8 de novembro de 1989. Pontificou no xadrez nacional nas décadas de 50, 60 e 70, sendo vice-campeão brasileiro nos anos de 1950, 1962 e 1971, e 15 vezes campeão do seu Estado.

Segundo seus contemporâneos, Eduardo Asfora nas partidas de blitz, "tirava leite de pedra e sua seta nunca caía".

Acredito que o seu maior feito foi sua vitória  no PanAmericano de 1971, em Tucuman, Argentina, frente ao GM Miguel Najdorf. 

Escrevendo este artigo, me veio à lembrança o maior tribuno da Paraíba, o saudoso campinense Raymundo Asfora, primo de Marco Asfora. Certa vez, na minha juventude, assisti a um comício político na Lagoa, que estava lotada. Naquele tempo não tinha televisão e os comícios em praça pública eram uma festa popular de muita aceitação. E a certa altura, num rasgo de amor à sua terra, disse Raymundo Asfora, de forma pausada e firme: "João Pessoa, Campina Grande não tem inveja de tí!", e os aplausos emocionados do povo eclodiu por alguns instantes, coroando de glória o orador da tribuna!

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Momento histórico!

Vai ser difícil esquecer esse momento, em que com a seta caindo, jogava com o universitário potiguar Jonnas Nikolas  a última partida da última rodada do Aberto de Natal, na tarde do dia 4 (domingo) de junho de 2017; Minha posição era perdida, mas como tinha a Dama ativa e o Rei branco exposto, fiquei dando xeques seguidos, até que meu tempo acabou. (FM)

A presença de Ivson!

Por FERNANDO MELO

Com as negras, Ivson  empata com Rodolfo pela 2ª rodada. .
A Paraíba pode se orgulhar de sua participação nesse 43º Campeonato Brasileiro de Xadrez 1976. Além de Frank Lins, legítimo representante de nosso Estado há quase uma década, temos agora o Ivson Miranda dos Santos, de Campina Grande, mas que agora está residindo em João Pessoa, onde estuda Medicina. Com apenas 19 anos de idade, Ivson já levantou vários títulos. Duas vezes campeão de Campina Grande, jogou o Paraibano ano passado e ficou em quinto. Este ano veio para ganhar o Campeonato, terminou como Vice, porque Frank ainda é o melhor. Agora jogando o Brasileiro, Ivson apresenta uma campanha que deixa a todos a impressão de que a Paraíba brevemente terá um outro campeão além de Frank.

Na primeira rodada, Ivson enfrentou o campeão brasileiro juvenil, Jaime Chaves, de São Paulo, e terminou em empate. Na segunda rodada o seu adversário é o temível Rodolfo Araujo, várias vezes campeão pernambucano e vencedor do Zonal Nordeste deste ano. Ivson mais uma vez não conhece a derrota. Empata com Rodolfo, perdendo qualidade!

A terceira partida enfrentou o jovem mineiro Roberto Pimenta, campeão do Zonal Centro. Parecia que alguma coisa estava para acontecer. Ivson arma um forte ataque na ala do Rei e investe suas peças com muita confiança. Pimenta não resiste e no 42º lance abandona. Ivson conseguiu assim uma vitória marcante.

E atenção meus caros leitores, Ivson acaba de vencer o Messias Lopes, da Bahia!

E mais uma vez, de forma brilhante, Ivson marca sua presença neste Campeonato Brasileiro. Desde já desafiamos a Federação Paraibana de Xadrez para considerar na lista de revelação deste Campeonato, o paraibano Ivson Miranda.

Com esta vitória Ivson conquista 3 pontos, e até a noite do último dia sete, estava junto com Herman Claudius, campeão paulista, em primeiro lugar.


terça-feira, 13 de junho de 2017

Sergipe sedia Regional de Xadrez Escolar

Nos dias 29 e 30 de julho, no Hotel Orion, em Aracaju (SE), vai acontecer o Regional Nordeste de Xadrez Escolar, promovido pela CBX, com organização da Federação Sergipana de Xadrez e arbitragem do AR Marcelo Menezes Silva. O evento é aberto a todos os estudantes do Ensino Fundamental e Médio da Região Nordeste, cadastrados na CBX, porém sem a obrigatoriedade de estarem em dia com a anuidade da entidade nacional. A competição, em 5 rodadas, será disputada no ritmo de 15’+5’’ ou 20’ KO, nas categorias masculino e feminino, divididas também por ano escolar (1º ao 9º Ano do Ensino Fundamental e 1º ao 3º Ano do Ensino Médio). O torneio será válido para rating CBX e vai ofertar, por categoria, troféu para o campeão, além de medalhas para os 2º e 3º colocados. Haverá ainda troféus para as três melhores Escolas que obtiverem melhor desempenho geral. Todos os participantes devem portar relógio e jogo de peças. Para mais informações consulte a página oficial do evento (link).

Jogo de Xadrez reduz penas de presos!

(Artigo publicado no site do TJ-PA, em 22/05/2017)

Um projeto que ensina xadrez a um grupo de 20 detentos do regime semi-aberto, na Colônia Penal Agrícola de Santa Izabel do Pará, complexo penitenciário de Americano, na Região Metropolitana de Belém, traz uma novidade no âmbito da execução penal no País: a possibilidade de redução de pena para os que participam das aulas. A cada 12 horas de estudo, os detentos reduzem um dia de pena. E como poderão também, após o curso, participar de competições na modalidade, a cada dia de competição são menos 12 horas de pena.
Três deles, selecionados em certame interno, participarão do II Torneio Aberto do Brasil do Clube de Xadrez da Cidade Velha, competição internacional que ocorrerá no Hotel Beira Rio, em Belém, nos dias 7, 8 e 9 de julho, com o apoio da Secretaria Estadual de Esporte e Lazer (Seel) do governo do Pará.
A expectativa é de que o torneio reúna em torno de 50 competidores, com a participação de mestres de porte internacional e jogadores amadores do País e do Estado.
Juiz titular da 4ª Vara Criminal de Belém, Flávio Leão elaborou a tese jurídica que embasa o projeto “Prática Desportiva do Jogo de Xadrez como Meio de Remição de Pena”. Fundamentada na Lei de Execução Penal (LEP) e em decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a proposta enquadra, por analogia, o curso de xadrez no escopo das exigências previstas na LEP, que prevê a remição por meio do trabalho e da frequência em curso regular educacional.
TESE
“Há decisões do STJ que permitem a remição pela leitura e pela prática de esportes. O xadrez é esporte e é leitura, porque obriga a ler textos teóricos que te ensinam a jogar melhor, textos que a gente vai distribuir pra eles durante o curso. Se estão jogando xadrez, estão praticando esporte, estão lendo ao mesmo tempo, então por analogia tu podes aplicar o código das execuções penais sobre o trabalho e a frequência num curso regular”, resume o magistrado.
A tese jurídica foi apresentada ao juiz titular da Vara de Execução Penal, João Augusto de Oliveira, que a aprovou e expediu portaria validando o curso e estabelecendo as regras para a remição das penas.
O Clube de Xadrez da Cidade Velha, dirigido pelo juiz Flávio Leão, apresentou o projeto, que recebeu o apoio da Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) e da Seel. “A tese jurídica fui eu que fiz, eu e o professor José Wilson, que é professor de matemática, funcionário da Susipe, e o professor Orlando Souza, da UFPA”, informa o juiz, professor voluntário do projeto piloto, que dá aulas de xadrez três vezes por semana aos detentos na Colônia Penal.
O curso foi aberto a todos presos do semi-aberto, na Colônia Agrícola, onde a filosofia do regime é de auto-disciplina e auto-responsabilidade, não há grades, muros ou presença ostensiva da PM. “Se ele sai é considerado foragido e se for preso, regride para o fechado”, observa o juiz.
O magistrado explica que nada impede que, no futuro, avaliada essa primeira experiência, o curso seja aplicado também aos presos do regime fechado. “A gente pode aplicar também no presídio feminino”, cogita o juiz, para quem a vantagem do xadrez, reconhecida em âmbito mundial, é que ele permite a ressocialização da pessoa. “A gente que é enxadrista sabe que é um jogo que transforma a vida da gente, que estimula o respeito ao adversário, onde tu não agrides, a não ser no tabuleiro, com os ataques, mas tu tens que respeitar teu adversário; às vezes eu comparo o xadrez com um processo judicial, onde um advogado tem que prever qual vai ser a jogada do outro advogado, da outra parte, e aqui também tens que prever duas ou três jogadas adiante, o que exige estratégia e cálculo”.
EXPECTATIVAS
Fábio Alex, 45 anos, três meses na Colônia Agrícola, avalia o curso de xadrez como uma oportunidade a mais pra ele encurtar o tempo de prisão. “Entrei na remição pela leitura e agora estou aproveitando o xadrez pra agilizar minha volta pra casa, pra família. Quero começar a minha vida novamente, com a família, com a sociedade, eu trabalhava com comércio”, diz ele.
Lucas Rodrigues da Silva, 19 anos, há dois meses na Colônia Penal, diz que o curso é a oportunidade de um reencontro com o xadrez, que ele começou a jogar quando tinha 12 anos. “Só que eu tinha dado um tempo, né, tinha parado, que eu me meti no crime, e agora voltei a jogar de novo” disse ele, que foi preso por homicídio. A expectativa para quando sair “é trabalhar, cuidar do meu filho e, se eu tiver tempo, ainda, jogar xadrez de novo”, promete.
Jônatas dos Santos Sousa, 25 anos, dois meses na Colônia Agrícola, já cumpriu um ano e meio de uma pena de oito anos, por tráfico, e avalia que o xadrez é mais um aprendizado para ajudá-lo até o ano que vem, quando ele aguarda a progressão para o regime aberto. “Voltar de novo pro mundão, né? Tô nessa expectativa aí, tenho meu filho pra cuidar.”
Luiz Gustavo Pinto do Nascimento, 27 anos, nove meses na colônia penal, aguarda ser transferido para o regime aberto em agosto, porque foi aprovado pelo Sisu para o curso de licenciatura plena em geografia do IFPA e irá para a Casa do Albergado, em Val-de-Cans, para frequentar as aulas em Belém. “Eu não jogava xadrez, eu sabia alguma coisa, mas nunca tive a oportunidade de jogar. A expectativa é a melhor possível, porque o xadrez expande a mente, você acaba tendo rapidez no raciocínio, ajuda na memória e também tem a remição, então é muito bom”, resume.
Daniel Marques, 33 anos, 40 dias na Colônia Penal, foi condenado por assalto e avalia mais essa oportunidade de remição como um meio de “ir embora mais cedo, não ficar muito tempo aqui”. “Eu tenho três remições: o xadrez, a da escola e eu trabalho aqui na acerola, faltam mais quatro meses e eu tou indo embora, já. Pretendo mudar minha vida, arrumar um trabalho, quando eu fui preso não tinha um emprego fixo, quando eu sair daqui, quero ter um emprego fixo, eu trabalho com música, sou DJ de boate, eu tava desempregado, por isso que eu me envolvi em assalto”, relata.
Fonte: Coordenadoria de Imprensa
Texto: Edir Gaya, com informações de O Liberal
Foto: Ricardo Lima

Um discurso para a História

Por FERNANDO MELO

Confesso que hoje, 13 de junho de 2017, 11 horas de uma terça feira, estou escrevendo uma das mais importantes páginas deste blog. Movido pela emoção, ciente da responsabilidade e fiel aos meus princípios, quero dizer que o discurso que vamos conhecer, proferido por um dos homens mais inteligentes que conheci, o meu saudoso amigo Gildemar Pereira de Macedo, é um marco na História do Xadrez da Paraíba.

Aos amigos que me conhecem e que acompanham esse blog e a coluna de xadrez no jornal Correio da Paraíba, há mais de 10 anos, sabem da minha paixão por Caíssa. E digo com toda a certeza que nesta hora, ela, nossa deusa, está feliz por trazermos ao conhecimento dos enxadristas esse discurso de Gildemar!

Portanto, fico feliz por essa iniciativa. Sei que amigos fieis, e muitas vezes generosos, vão se emocionar, principalmente aqueles que viveram aquela época, no já distante ano de 1976. Vamos ao discurso.

DISCURSO DE GILDEMAR
Salão de Convenções do Hotel Tambaú
Noite do dia 3 de julho de 1976

Gildemar Pereira de Macedo
"Quando em 1973 um pequeno grupo de enxadristas fundava a Academia de Xadrez Caldas Vianna, pouco se praticava o nobre jogo na Paraíba. Os antigos ases do tabuleiro haviam requerido aposentadoria ou, pelo menos, licença prêmio. Já ia longe as memoráveis campanhas de Fernando Marinho, Romero Peixoto, Herul Sá e Jeová Mesquita, entre outros.

De atuante mesmo, tinhamos apenas as jogadas gloriosas do talentoso Frank Lins e a abnegada devoção de Bento da Gama. De resto, um reduzido grupo comparecia à blitz do Clube Cabo Branco, onde se exercitava um jogo de forma empírica e simplória, sem Nimzovitch, sem Roberto Grau, sem Pachman, sem Dagostini sequer.

Mas a Caldas Vianna vinha predestinada. Arregimentavam-se os principiantes ... organizaram torneios ... reacendeu-se a chama do Clube de Xadrez da Paraíba ... os veteranos atenderam à convocação ... e alguns volveram à atividade com a disposição de quem pretende recuperar o tempo perdido, como que num agradecimento à Deusa Caíssa pelo milagre da reativação dos pendores adormecidos.

O Campeonato Paraibano veio a revelar dentre os jovens, verdadeiras vocações enxadrísticas, dentre os quais merecem citação Expedito Medeiros, Fernando Melo, Ivson Miranda, Luismar Brito e Dacio Lima.

O diapasão da arrancada nos propiciou p ensejo de patrocinar o Zonal Nordeste. Foi nesta oportunidade  que tivemos a felicidade de conhecer a figura extraordinária do campeoníssimo Pinto Paiva. E foi aí que a Bahia conquistou o coração da Paraíba, através dos lances magistrais e do magnetismo pessoal desse fenomenal jogador.

Daí por diante a nossa luta passou e torno da esperança de realizarmos aqui o campeonato nacional. Conseguimos a palavra da Confederação Brasileira de Xadrez, através do inesquecível presidente Washington de Oliveira, cuja memória o Brasil inteiro tem o dever de reverenciar.

Mas ainda nos faltava quase tudo. A grandiosidade do porte deste conclave não se poderia conter nos estreitos limites de verba tão insignificante como a que nos foi deferida. Felizmente a sensibilidade do Governador Ivan Bichara, que em tão boa hora conduz equilibradamente os destinos do Estado, atendeu aos nossos apelos. A PB-Tur arregaçou as mangas e tomou a si a responsabilidade promocional do acontecimento, ao impulso do presidente Amir Gaudêncio e dessa maravilhosa equipe de promotores do turismo paraibano.

E que se registre por um imperioso dever de justiça, o apoio do Secretário Marcelo Lopes, da Indústria e Comércio, do Secretário Tarcísio Burity, da Educação, e do Prefeito Hermano Almeida, da Capital, da imprensa de quase todo o país, e, sobretudo, de A União, único jornal do país a manter diária e ininterruptamente uma coluna especializada sobre xadrez.

Mas, até que enfim, o sonho da Academia Caldas Vianna se transforma em realidade. O colosso do Hotel Tambaú se converte no firmamento em que podemos contemplar o brilho dos mais expoentes astros do enxadrismo nacional.

A Paraíba se transforma por alguns dias na capital enxadrística do Brasil.

Entretanto, meus senhores, apesar desse momento ornado de glória, a caminhada do xadrez brasileiro ainda é longa e difícil. É preciso mudar a consciência brasileira em relação ao xadrez. É imperioso que se consiga a obrigatoriedade do ensino de xadrez nas escolas, apoiados na certeza científica de que se todo órgão vivo se desenvolve pelo exercício, o cérebro sistematicamente exercitado haverá de desenvolver-se também.

É preciso atrair as atenções do empresariado nacional para as imensas potencialidades promocionais do xadrez.

É necessário mudar a escala de repartição do bolo de verbas destinadas aos desportos, onde o xadrez é contemplado em escala milesimal".


Lembrando visita ao Paladino!

Divulgamos, com prazer, essa excelente foto tirada por Genildo Gomes, quando de nossa visita ao Paladino do Nordeste, na manhã do último dia 2, em Natal-RN. À esquerda, Dra. Albanita, tendo ao seu lado o Paladino, seguido deste colunista, e pelo presidente da Federação Paraibana de Xadrez, Petrov Baltar.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Entrevista com Dr. Luiz Tavares - Final

Técnica de Mequinho


Falando sobre as características técnicas da atuação de Mequinho, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Xadrez ressaltou a habilidade com que ele se conduziu no apuro de tempo "como excelente jogador rápido que é e sempre foi, principalmente nas partidas com Browne e Panno, quando jogou cerca de 20 lances em um minuto e pouco".

Disse ainda que com relação ao sorteio inicial dos participantes, Mequinho não ficou satisfeito pois havia sido emparceirado com as peças brancas contra os jogadores mais fortes e com as pretas contra os mais fracos, "o que, na sua opinião, lhe era desfavorável, pois preferia jogar de brancas com os fracos, quando ganharia com certeza e de pretas com os mais fortes, pois assim não perderia".

Florêncio Campomanes que foi eleito mais tarde preesidentee da FIDE
Revela o médico Luiz Tavares que o árbitro Campomanes teve outra situação difícil. novamente contra o americano Browne. 

De repente, como acontece na minha terra, o Recife, a luz apagou-se exatamente no momento em que a partida entre Browne e Polugayevski chevava ao momento decisivo. Em outras partidas as setas dos relógios também estavam suspensas. Aí então, foi ligado o gerador de emergência que não foi considerado por Browne satisfatório o suficiente para continuar o jogo. Então, começou a gritar, protestanto; Campomanes tentou acalmá-lo, já que nada mais podia fazer, pois este detalhe não estava previsto pelo regulamento. Nada adiantou, até que ele teve de gritar para o norte-americano se sentar e continuar jogando, ao que finalmente foi obedecido.

Tavares conta que a figura do árbitro Campomanes muito o impressionou e que este, inclusive, está muito cotado atualmente para substituir o holandês Max Euwe na Presidência da Federação Internacional de Xadrez.

domingo, 11 de junho de 2017

Entrevista com Dr. Luiz Tavares - 3

Preparação: detalhes

Alguns detalhes
Mequuinho em 1976
interessantes da preparação de Mequinho foram contados por Tavares:

Mequinho foi o primeiro jogador a chegar a Manilla, com bastante antecedência ao  início do Torneio e a primeira coisa que fez foi vedar totalmente a janela de seu quarto com um papel preto, usado nos laboratórios fotográficos, para que não entrasse qualquer réstia de luz que lhe perturbasse o sono. Seu quarto era tão protegido contra luz e ruídos, que tive receio de que isto pudesse lhe abalar a saúde. 

Tavares revelou ainda que, na solenidade de abertura para o emparceiramento, quando é praxe cada jogador indicar uma pessoa para o Tribunal de Apelação do Torneio, a pessoa indicada por Spassky foi vetada pelos próprios dirigentes da Federação Soviética. "Outra coisa que pouca gente sabe no Ocidente é de um dos grandes participantes, Yuri Balashov, é o primeiro Grande Mestre formado pela Faculdade de Xadrez que existe em Moscou", informou Tavares.

E relatou ainda: "Normalmente, em um torneio de xadrez o ambiente entre os jogadores é e grande cordialidade, já que se trata de um esporte de intelectuais. Mas, infelizmente, nem tudo foi assim em Manilla. Na partida que Mequinho jogou contra o norte-americano Walter Browne, considerada sua melhor vitória no torneio, houve muita guerra de nervo por parte do americano, o que provocou inclusive um protesto oficial de Mequinho ao árbitro Florêncio Campomanes que, com muita habilidade conseguiu contornar o problema".

"O que aconteceu" - explica - "é que dias antes , Mequinho adiara por motivo de doença, sua partida com o romeno Gheorgiu, e Browne, suspeitando da veracidade de enfermidade do brasileiro, chegou a ameaçá-lo de agressão física, caso isso viesse a prejudicá-lo no Torneio. Entretanto, esse incidente, que deve ter ocorrido devido em temperamento muito nervoso de Browne (que já teve problemas desta natureza, neste e noutros torneios anteriores) foi completamente dominado por Campomanes, que fez com que os dois se dessem as mãos e esquecessem as mágoas. Dias depois, conversavam animadamente sobre variantes, no ônibus que conduzia os jogadores do Hotel ao salão de jogos".
(CONTINUA)

sábado, 10 de junho de 2017

Entrevista com Dr. Luiz Tavares - 2

Manilla, dia a dia


Dr. Luiz Tavares, o anjo da guarda de Mequinho
"Acho que nenhum outro jogador, com a possível exceção de Bobby Fischer, se impõe uma disciplina tão férrea como Mecking", assegura Tavares, ao explicar a disciplina de Mequinho como um dos fatores mais importantes de sua vitória em Manilla. 

"Enquanto outros jogadores, como Mariotti ou Gheorghiu e até mesmo os soviéticos, eram displicentes e dispersivos, Mequinho empenhava todas as suas energias nas partidas, com várias horas de preparação diária dos lances de abertura jogados por seus adversários" - relatou.

Em seguida Tavares descreve a rotina de Mequinho em Manilla:
- Logo pela manhã, após o café, ele pegava o boletim com as partidas da rodada anterior e estudava atentamente todos os jogos. Depois reproduzia, de acordo com os livros, todas as partidas jogadas por seus adversários nos últimos 10 anos. Pontualmente, as 11 horas, almoçava seguindo dieta especial que quase sempre consistia em bife com arroz, completamente diferente da alimentação dos demais jogadores que se deliciavam com as comidas típicas das cozinha filipina, notadamente frutos do mar.

Durante todo o Torneio -  informa Tavares - Mequinho perdeu cerca de quatro quilos.Após o almoço ele dava uma caminhada de uma hora, sempre sozinho, pelos parques e jardins ao redor do Hotel. Enquanto Spassky (que jogava tênis) e os demais jogadores se divertiam o dia de Mequinho não reservava qualquer momento para o seu lazer pessoal. Ainda pela manhã, fazia por cerca de uma hora, ginástica pesada, para depois estudar as análises que seu segundo, o carioca Márcio Miranda preparava. Seu único momento de descontração era à noite. Depois do jogo, durante o jantar, ele estava sempre alegre, conversando bastante, mas nunca sobre a partida que acabara de jogar ou sobre xadrez, de maneira geral.
(CONTINUA)

II Ativo Junino 2017



Será realizado na tarde do próximo dia 17 (sábado), no Clube de Xadrez Miramar, o II Torneio Ativo Junino 2017, sob a direção do MF Francisco Cavalcanti. Os três primeiros colocados receberão medalhas. A inscrição é de 30 reais, sendo que os sócios pagam 20 reais. O tempo é de 15 minutos e serão 6 rodadas.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Entrevista com Dr. Luiz Tavares!

Julho, 14, do ano de 1976
Dr; Luiz Tavares (E) e Mequinho (C)


Mequinho perdeu quatro quilos durante o Torneio Interzonal de Manila - Filipinas, em 1976. que conseguiu vencer. Chegou a ser ameaçado, inclusive de agressão física pelo norte-americano Walter Browne, sobre quem teve sua melhor vitória no torneio. Em certo momento das disputas houve falta de luz no salão dos jogos e o americano voltou a dar trabalho ao árbitro Florêncio Campomanes.


Herbert Carvalho

Tudo isso foi contado no Hotel Tambaú pelo ex-presidente da Confederação Brasileira de Xadrez, o médico pernambucano Luiz Tavares da Silva, ao enxadrista Herbert Carvalho, um dos fortes participantes do 43º Campeonato Brasileiro de Xadrez e enviado especial da Folha de São Paulo.
Esta entrevista teve direito de publicação concedidos a Fernando Melo (colunista de A União) e o jornal passa a divulgá-la em sua quase totalidade. 

OBS: As fotos publicadas nesta materia são de arquivo
 e não as publicadas na reportagem original do dia 14/07/1976.
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FILIPINAS : Um torneio de muita garra
Mequinho

Pernambucano de Recife e médico de profissão, Luis Tavares da Silva é um doa admiradores de Henrique da Costa Mecking, o Mequinho, cuja fama no mundo internacional do xadrez ele ajudou a criar, Neste momento ele está no Hotel Tambaú assistindo ao Campeonato Brasileiro de Xadrez e descansando da longa viagem de 35 horas de regresso de Manilla onde esteve até o final de Torneio Interzonal.

O dr. Tavares, que já foi campeão brasileiro e presidente da Confederação Brasileira de Xadrez, acompanhou o desenvolvimento da carreira do único Grande Mestre brasileiro desde o seu despontar, em 1965, quando ainda um garoto de apenas 13 anos, bastante magro e tão pequeno que quase não podia alcançar o tabuleiro, venceu o campeão nacional daquele ano.

A partir daí, Tavares teve a certeza de que aquele garoto tímido, vindo do interior do Rio Grande do Sul, chegaria a ser campeão mundial de xadrez. Foi então que, juntamente com um grupo de enxadristas da época, passou a atuar para propiciar ao futuro Grande Mestre as oportunidades necessárias ao desenvolvimento de todo aquele talento em potencial. 

Desde o princípio sempre acompanhou Mequinho em todos os Torneios Internacionais de importância, como ele mesmo conta: "A primeira vez foi na Tunísia, em Sousse, onde em 1967 ele jogou o primeiro Interzonal. Depois fomos por duas vezes a Hastings, depois em Lugano e em Augusta e 1974 quando ele foi derrotado por Korchnoi. Agora houve esta viagem a Manilla."

Tavares diz que sua admiração por Mequinho surgiu ao observar seu extraordinário talento, principalmente nas partidas rápidas, notando em seguida seu senso posicional e comportamento com relação ao xadrez e, enfim, sua dedicação e autocontrole na perseguição dos objetivos. 

(CONTINUA)

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Uma feliz homenagem!

Por FERNANDO MELO

A iniciativa do MF Marco Asfora em patrocinar o Torneio Aberto do Brasil - I Memorial Dr. Luiz Tavares & Eduardo Asfora, nos dias 7 a 9 de julho, no Hotel Jangadeiro, Boa Viagem, Recife, é duplamente feliz! A historia do xadrez é rica por trazer em suas páginas figuras imortais como esses dois homenageados. Nomes consagrados como o de Marco Asfora, Roberto Calheiros e Yago Santiago, para citar apenas três, bebem na fonte dos feitos desses saudosos e ilustres pernambucanos.

Passei a manhã de ontem no Instituto Histórico e Geográfico da Paraiba (infelizmente ameaçado de fechar por falta de verba) , na companhia do meu amigo pessoal Antonio Morais  (um intelectual de profundo saber e excelente jogador de blitz) , num trabalho de pesquisa, cujo objetivo maior era fotografar, via celular, algumas colunas de xadrez, escritas por mim em 1976, quando aqui tivemos no Hotel Tambaú. mais uma versão da Final do Brasileiro.

E foi exatamente a longa entrevista de Dr. Luiz Tavares, concedida ao correspondente da Folha de São Paulo, jornalista e enxadrista Herbert Carvalho, e que me foi dado o direito de republicar na capa do Primeiro Caderno do jornal A União, no dia 14 de julho de 1976! O tema da entrevista foi a vitória de Mequinho no Interzonal de Manila.

Esse foi um momento importante em que tive oportunidade de conviver com o Dr. Luiz Tavares, como aconteceu outras vezes aqui em João Pessoa e também em Recife. 

Quando Marco Asfora me convidou para fazer a apresentação dos homenageados na abertura do torneio, confesso que fiquei emocionado. Não sabia que o peso da idade me tornasse um chorão. Mas é um choro que conforta a alma por banhar de sonhos momentos felizes O que seria de mim, que tanto gosto de Bobby Fischer e da Abertura Bird, se não fosse o Dr. Luiz Tavares!? Isso diz demais do meu respeito e da minha saudade por esse grande pernambucano!

Na tive a felicidade de conhecer o Dr. Eduardo Asfora, mas sei que foi um jogador que orgulhava o seu Estado nas competições, tanto nacional como internacional. Marco Asfora, seu sobrinho, certamente sofreu a boa influência e tornou-se um enxadrista a altura de continuar honrando o nome da família.

Gostaria de encerrar esse artigo lembrando o que Tavares e Asfora têm em comum com o GM Miguel Najdorf! Na decada de 40, Dr. Luiz Tavares foi um dos três médicos que deram assistência a Najdorf quando este jogou em São Paulo, uma simultânea às cegas contra 45 tabuleiros. E na década de 70,  Eduardo Asfora ganhou para Najdorf no Panamericano!  

Vamos aguardar o dia 7 de julho e certamente boa parte dos enxadristas do Nordeste e do Brasil, estará homenageando com suas presenças essa feliz iniciativa do decano do xadrez pernambucano, o MF Marco Asfora!

terça-feira, 6 de junho de 2017

A vitória de Ângela Tavares!

Por FERNANDO MELO

O casal Jan e Ângela com este colunista, em Natal-RN
Muitas lições se pode tirar de uma derrota, talvez até mais do que um empate ou uma vitória. Na manhã do último domingo, jogando a V Rodada do Aberto do Brasil Xadrez Potiguar 2107, enfrentei com a minha Bird a jovem senhora Ângela Tavares, 19 anos, casada com o também enxadrista Jan Filipe, 22 anos, ambos estudantes da Universidade do Rio Grande do Norte. Até o meio jogo estava eu com uma vantagem considerável, o que levava a pensar na vitória. Eis que em determinado momento, sem uma análise mais aprofundada, deixei passar uma variante que minha adversária viu e soube tirar dela o melhor proveito. 

É preciso considerar que esta era a primeira vez que Ângela participava de um torneio aberto valendo rating FIDE. Portanto sua avaliação por essa instituição era inexistente. A primeira lição é a de que nunca devemos menosprezar o adversário. Não foi o meu caso, mas pelo fato dela não ter ELO podia me levar a pensar que era uma adversária passível de ser derrotada por mim. 
 .
O fato é que Ângela ficou na vantagem posicional e material de um peão e não largou mais. Começou a encontrar lances exatos e perfeitos e em determinado momento mostrou-se bastante nervosa, uma vez que a vitória se avizinhava a olhos vistos. Sua respiração acelerou. Eu pensava mais do que ela e o meu tempo ficou complicado.  Em certo momento, Ângela deixou a mesa e foi ver o emparceiramento no quadro de aviso. Me deu a impressão que ela foi ver o meu ELO e assim sentir o gostinho de uma vitória com mais sabor. Posso estar enganado, mas seria perfeitamente normal ela ter ido verificar meu ELO.

No entanto, aproveito esse momento para um conselho aos mais jovens, sem a devida experiência de tabuleiro. Mais importante do que ganhar é jogar bem, e isso Ângela fez. A vitória é uma consequência natural, mas o que não se pode fazer é comemorar essa vitória antes de a partida terminar. Espere o término da partida e extravase toda a emoção.

Ao final de tudo, fiquei feliz pela vitória de Ângela Tavares, na esperança que esse resultado lhe traga ânimo para futuros embates. A minha Bird foi mais uma vez batida e mais uma vez me mantenho na esperança de que essa abertura vai me trazer muitas emoções.

Esqueci de Eugenio German!

Por FERNANDO MELO
Eugênio German (negras) em 1972

O meu amigo potiguar Wilson Roberto foi quem me chamou a atenção pela ausência de um nome ilustre no capítulo  IX - Enfrentando os brasileiros, do meu livro O escudeiro de Caíssa. Trata-se de Eugênio Maciel German,  que jogou com Fischer no Interzonal de Estocolmo 1962. Eu havia citado os brasileiros Souza Mendes, Olicio Gadia, Helder Câmara e Henrique Mecking, esquecendo portanto de citar Eugênio German.

Vamos conhecer neste artigo como foi o embate dele com Bobby Fischer no torneio acima citado. German, que era mineiro de Ubá, faleceu em 2001 aos 70 anos. Ele foi o primeiro brasileiro a receber o titulo de Mestre Internacional, em 1952. Foi duas vezes campeão brasileiro, em 1951 e 1972. Participou de duas Olimpíadas, em 1952, em Helsinquia (Finlândia), e 1968, em Lugano, (Suiça). No Interzonal de Estocolmo, num total de 23 jogadores, ele terminou em 19º lugar, com 7 pontos em 22 possíveis. sendo 3 vitórias ( uma delas para o GM hungaro Lajos Portisch), 8 empates ( Korchnoi, Gligoric, Stein, Geller, parte da nata do xadrez da época) e 11 derrotas, entre elas a com Bobby Fischer, na 13ª rodada, em 30 lances. Vejamos a partida a seguir.

Fischer - German
Defesa Petrov (C43)

1.e4 e5 2.Cf3 Cf6 3.d4 ed 4.e5 Ce4 5.De2 Cc5 6.Cd4 Cc6 7.Cc6 bc 8.Cc3 Tb8 9.f4 Be7 10.Df2 d5 11.Be3 Cd7 12.0-0-0 0-0 13.g4 Bg4 14.Ce2 Cb6 15.Cd4 De8 16.c3 Be7 17.f5 c5 18.Cd5 b4 19.Bf4 dc 20.Cc3 Ca4 21.Bb5 Tb5 22.Ca4 Tb4 23.Cc3 Bb7 24.The1 Rh8 25.f6 Bd8 26.Bg5 Td4 27.fg Rg7 28.Bf6+ Rg8 29.Dh4 Td1+  30.Cd1 e as negras abandonam.